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Suicídios aumentaram 10%

1 de Março, 2012por Margarida Davim e Sónia Graça
Em 2011, suicidaram-se mais 53 do que no ano anterior. Só na Polícia houve 19 casos desde 2010. Professores também são profissão de risco.

João (nome fictício) usou a arma de serviço para se matar nos balneários da Esquadra de Trânsito de Coimbra. Foi um dos onze polícias que se mataram no ano passado. Já em Janeiro deste ano e no espaço de três semanas, duas professoras da Secundária D. Maria, em Coimbra, puseram fim à vida. São casos que reflectem uma tendência de aumento do número de suicídios.

Só no ano passado, mataram-se 1.208 pessoas: mais 53 do que no ano anterior e mais 110 do que em 2009. Dados do Instituto de Medicina Legal (IML), mostram, aliás, que nos últimos três anos os suicídios aumentaram 10% em Portugal.

Os idosos entre os 75 e os 79 anos são os que mais pesam nestes números. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2010 foram 120 os que se mataram: mais 18 do que no ano anterior.

Casos na PSP triplicam

Nos últimos dois anos, 19 polícias puseram fim à própria vida. Só na PSP, o número de suicídios triplicou. Em 2010 foram três os agentes daquela corporação que acabaram com a própria vida, enquanto no ano passado foram sete – o número mais alto desde o início da década.

Todos eram homens, nove usaram a arma de serviço, mas a maioria escolheu morrer na sua própria casa. Só dois se suicidaram nas esquadras.

No mesmo período, a GNR registou nove casos de suicídio: um deles cometido por uma mulher. «Só um ocorreu dentro das instalações da GNR, mas fora das horas de serviço», explica fonte daquela polícia. Dos nove militares, sete tinham entre 31 e 36 anos e pertenciam às patentes mais baixas: três eram sargentos, três cabos e três guardas.

«Os problemas financeiros estão quase sempre na origem destes actos», comenta Paulo Rodrigues, presidente do maior sindicato da PSP. «É uma profissão mal paga e com muitos riscos», diz o sindicalista, preocupado com o efeito que os cortes da austeridade possam ter na classe.

Professores em stresse

José Carlos Santos, da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, avisa que a crise pode fazer estes números crescer ainda mais e lembra que «profissões com acesso a meios para o suicídio são sempre consideradas de maior risco». É o caso de profissionais de saúde, «com acesso a drogas e produtos tóxicos», mas também de agentes policiais, que todos os dias manuseiam armas.

No caso dos professores, o stresse e a violência do meio escolar podem ser detonadores de tendências suicidas. «A indisciplina dos alunos e o ambiente da escola provocam um desgaste tremendo que pode deixar ainda mais frágil quem já tem problemas em casa», comenta Ana Grancho, da Associação Nacional de Professores (ANP), que não tem, contudo, números sobre o suicídio naquela classe. «Não temos dados sobre isso. A única situação de que tive conhecimento foi através da linha SOS Professor e foi tratada com sucesso por um psicólogo da associação».

Ernesto Paiva, director da Secundária D. Maria, em Coimbra, também hesita em fazer a ligação entre a profissão e o suicídio de duas professoras de Biologia, que se mataram em Janeiro. «Uma delas tinha acabado de voltar de uma baixa psiquiátrica prolongada. Voltou ao serviço na sexta e na terça matou-se», conta o director, que não viu sinais de alerta na segunda docente. «Era amiga da outra colega, que estava com uma depressão, mas nada indicava que pudesse fazer o mesmo».

O caso deixou em choque aquela que é considerada pelos rankings a melhor escola pública do país e levou o director a pedir à Sociedade Portuguesa de Suicidiologia para intervir. «Fizeram algumas sessões para professores e pais e estão agora a dar acompanhamento aos alunos».

Já em Dezembro o suicídio de uma docente impressionou o país. Márcia Santos, de 34 anos, atirou-se de um viaduto da A24 (Vila Real) com a filha ao colo.

A bebé de 22 meses escapou com vida, mas a docente contratada que ficara este ano lectivo no desemprego não resistiu à queda de 40 metros.

margarida.davim@sol.ptsonia.graca@sol.pt




19 Comentários
blueberry
02.03.2012 - 08:56
E qualquer dia pode acontecer também na classe politica... de tão frustrados que andam por não conseguirem resolver os problemas do País...
já para não dizer que o desemprego e o ordenado curto ao fim do mes lhes podem também provocar stress traumatico...
FDPs!!!!!!
amvc
02.03.2012 - 06:40
O que se poderia esperar?!
factos
01.03.2012 - 22:49
Zedk
01.03.2012 - 15:08

O Seu comentário é Real, nada a tirar, nada acrescentar,simplesmente; parabéns!.
CondedeMenteTriste
01.03.2012 - 20:35
Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no
Público

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra
Dunamis77
01.03.2012 - 19:25
Na voragem da austeridade cega, aumentam exponencialmente os dramas encobertos ou simplesmente ignorados por uma sociedade cada vez menos solidária. A mesma que vive obcecada com números e estatísticas, esquecendo os rostos humanos por detrás deles. O crescente número de suicídios é um reflexo da desesperança instalada num país em cujo próprio povo já não acredita que possa ter futuro.
CondedeMenteTriste
01.03.2012 - 18:48
Só é pena suicidarem-se sós!!!
Eu, se pensar suicidarme, levo companhia, nem que seja um vereador ou o porteiro da sede de um qualquer partido, embora prefira um administrador ou um ministro já que também contribuiram com as suas quotas partes para o descalabro em que nos puserem as suas hierearquias.


condedementetriste albardeiro e ferrador
luisnet
01.03.2012 - 18:16
Boas notiçias para o governo . Menos gente , menos chatices , ou menos subsidios , ou mais emprego ...
plagacio
01.03.2012 - 16:44
Quando Portugal fôr expulso do euro e instaurar um sistema comunista, durante uns quantos anos, para se preparar devidamente para o capitalismo selvagem, o pulha suicida-se. ALELUIA!!!
plagacio
01.03.2012 - 16:37
São os jovens, são os velhos, são os desempregados, são os licenciados, são os professores, são os doentes, são os reformados, são os funcionários, são os trabalhadores, a todos o governo disse: "EMIGREM OU SUICIDEM-SE, ESTE PAÍS NÃO É PARA VOCÊS!!!"
Este país só é bom para o patronato rasca, aquele que gosta de explorar até ao tutano, para esses o bando de canalhas proporciona condições para arrecadarem mais uns euros, para as noitadas nos bares de alterne, as mariscadas, e prendas para as amigas galdérias.
Taliban
01.03.2012 - 16:14
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nalves
01.03.2012 - 16:04
Sensor
01.03.2012 - 15:11
Pelos vistos Vossa Exª tb não percebeu a minha ironia.
cristinamrp
01.03.2012 - 15:37
Quijote, você é um pulha. Por isso é que escreve sob pseudónimo. Se você é de Direita, representa tudo o que de pior existe na Direita. Mas acho que você é apenas aquilo que é, um pulha miserável.
Chatices
01.03.2012 - 15:26
Este é um fenómeno crescente, a taxa é com certeza mais alta que aquela que é noticiada.
Nunca se chega a saber verdadeiramente a rela taxa porque há o estigma ligado a este acto e as famílias não divulgam até por questões religiosas.
Por outro lado , não se contabilizam as morte que ocorrem por nigligencia do próprio que escontra nesta postura uma forma de se livrar da vida.
Há ainda a acrescentar a falta de solidariedade em muitas famílias e na sociedade em geral é um virarde costas a tudo, uma anomia qie leva ao desinteresse pela propria vida e que promove um número maior de mortes.
Enfim, uma sociedade virada para os números e não para a humanidade , onde os previligiados são os que têm bens materias , onde não se valoriza o Homem por aquilo que ele é em si.
Sensor
01.03.2012 - 15:11

nalves
01.03.2012 - 14:57

Não seja burro. Aprenda a ler. A ironia é um flor de retórica simples e acessível até a um nabo.
Zedk
01.03.2012 - 15:08
O suicídio, regra geral, é uma situação de covardia perante a vida, a sociedade e o próprio.

Com a morte nada se ganha, a vida continuará e é o fim da única coisa que nos pertence, que nasce connosco e connosco acaba.

Para filosofar não é preciso ser grego, nem ter por nome Sócrates, basta parar uns segundos olhando e ouvindo o silêncio em redor:
"Faremos parte da memória dos vivos e seremos lembrados, mais pelos defeitos que procurámos esconder, que pelas virtudes de que nos orgulhámos." - J.M.- Zedk - 2012.3.1
nalves
01.03.2012 - 14:57
Sensor
01.03.2012 - 14:09
fico muito contente pelo facto das pessoas que se suicidaram não serem da sua familia ou amigos.
AJPC
01.03.2012 - 14:21
TA MAL, DEVERIAM SIM ATIRAREM-SE PARA CIMA DOS CULPADOS, CULPADOS DE JULGAREM QUE SÃO TODOS SACANAS COMO OS POLÍTICOS.
quijote
01.03.2012 - 14:13
Ainda estamos longe das taxas de suicídio dos antigos países comunistas.
Sensor
01.03.2012 - 14:09
Afinal nem tudo são más noticias. O País vai-se assim aliviando aos poucos.


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