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Casino condenado a indemnizar cliente viciado em quase 83 mil euros

17 de Abril, 2012
O Supremo Tribunal de Justiça confirmou a condenação do Casino de Espinho ao pagamento de uma indemnização de 82.893 euros a um cliente viciado no jogo, que em dois anos ali «destruiu» uma fortuna.

A seu pedido, o cliente tinha sido proibido pela Inspecção Geral de Jogos (IGJ) de frequentar, durante dois anos, quaisquer salas de jogo, mas o Casino de Espinho continuou a facultar-lhe a entrada.

Segundo o tribunal, o casino não se ficou pela omissão do cumprimento da notificação da IGJ, tendo ainda adoptado condutas que «aliciavam» o cliente a deslocar-se até às suas instalações, enviando-lhe convites para eventos sociais e para pernoitar no seu aparthotel e oferecendo-lhe gratuitamente os serviços de bar da sala de máquinas e do restaurante.

O cliente em causa tem 37 anos, reside em Vila Boa do Bispo, concelho de Marco de Canavezes, e era vendedor de automóveis, uma profissão que acabaria por perder por causa do vício do jogo.

Jogava no Casino de Espinho desde o último trimestre de 2003, tendo-se «viciado» no jogo e passando a ser um cliente «assíduo e conhecido» daquela casa de jogos.

«Começando a tomar consciência dos riscos associados ao jogo», tentou colocar um ponto final nessa situação, solicitando à IGJ, em inícios de Dezembro de 2003, a interdição de acesso a sala de jogos, que lhe foi concedida no dia 10 desse mesmo mês.

Ficou, assim, proibido de aceder às salas de jogos de todos os casinos do país, pelo período de dois anos.

No entanto, e cerca de um mês após a proibição, não conseguindo resistir à tentação, voltou ao Casino de Espinho, começando a «jogar forte» na roleta, apostando diariamente, desde o meio da tarde até às 3h00 ou 4h00 horas do dia seguinte, entre 500 a 8 mil euros.

Chegava a jogar em sete máquinas em simultâneo.

De acordo com o tribunal, os funcionários do casino «sabiam da proibição», mas permitiam que ele continuasse a jogar.

Paralelamente, o casino continuava a tratá-lo como um VIP, sendo mesmo convidado para jantares de gala.

Só durante os dois anos em que deveria vigorar a proibição, o cliente gastou para cima de 124 mil euros a jogar no Casino de Espinho.

Para o tribunal, afigura-se ajustada a repartição das culpas em um terço para o cliente e dois terços para o casino, pelo que condenou a casa de jogos a pagar-lhe uma indemnização no valor dessa proporção (82.893 euros).

O Casino alegou que era humanamente impossível controlar a identificação de todos os clientes, até porque recebe «centenas» de notificações da IGJ, mas o tribunal contrapôs que aquele era «sobejamente conhecido», até por ser um dos que «jogava mais forte».

O cliente pedia uma indemnização de 240 mil euros, alegando que teria sido esse o valor gasto durante os dois anos de proibição.

Lusa/SOL




4 Comentários
Varta
29.07.2012 - 00:56
Quando uma pessoa pede para lhe seja barrada a entrada num casino porque não se sabe controlar o seu estimulo de lá entrar ejogar é porque já se encontra num estado de desespero e de descontrolo tal que nesse momento o casino deveria fazer o que está na lei (impedir a sua entrada).
Esse pedido é formalizado num documento escrito onde o cliente entrega também ao casino uma fotografia a cores para que seja bem identificado aquando da sua chegada à porta.
De acordo com a noticia o cliente do casino solicitou que lhe fosse impedida a sua entrada nos casinos em Portugal por um periodo de 2 anos. O casino, para proveito próprio, continuou a permitir a sua entrada e a jogar. Acho que o casino deveria ter sido obrigado a pagar a totalidade do que o cliente afirma lá ter gastado. Neste preciso momento deve haver muitas pessoas a jogar nos casinos na situação de lhe estar impedida a sua entrada naquelas instalações ma mas não há eventual fiscalização que controle isso ou se há o seu trabalho vale zero(sei do que estou a falar).
As pessoas quando ficam viciadas no jogo não tem controlo sobre o que gastam no jogo, tentado perpétuamente recuperar o que já perderam até ficarem sem nada.
Os casinos são um espaço de ilusões que acolhem diariamente demasidas triste histórias de vida. Os casinos pagam muito dinheiro em impostos sobre as suas receitas.
Sendo o estado (através do impostos cobrados) e os donos dos casinos as entidades quem lucram com as suas receitas, deveriam estes Criar Centros de Ajuda a Jogadores Compulsivos.
Há muitas pessoas neste pais a sofrer com o jogo compulsivo, não só os próprios como as suas familias.
Fico contente por este senhor ter podido levar este caso a tribunal. Fico contente pelo senhor juiz ter condenado o casino a pagar. Foi preciso ir até ao supremo, enfim...deviam haver mais exemplos destes.
bunker
17.04.2012 - 22:19
É a justiça que temos (igual ao país). Um moinante que passou a vida na jogatana é premiado com dinheiro que irá gastar noutro casino. Isto porque trabalhar não é com ele. Se fosse um desgraçado de um trabalhador a pedir o que tem direito era corrido a pontapé.E depois admiram-se que quando em vez apareça um maluco e limpe uns quantos.
quijote
17.04.2012 - 19:32
Um herdeiro alentejano jogou e perdeu em Lisboa toda a sua fortuna em duas semanas. O Casino até lhe arranjou um apartamento perto, na avenida Portugal, e uma acompanhante para ele não perder tempo em tarefas domésticas, e poder frequentar o casino desde a abertura ao fecho.
beiraalta
17.04.2012 - 18:33
esta é mt boa!jogou, consolou-se, e agora quer indemnização.Só falta dizer que os funconários seguravam-lhe as mãos, para jogar, porque o menino não tem culpa nenhuma!


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