Uma remodelação de 10,2 milhões de euros dotou a secundária Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, de sistemas de climatização e equipamentos que a escola não pode usar por falta de verba para pagar a água e a electricidade.
«A escola foi dotada de condições de conforto que não podemos usar porque as facturas da água e electricidade dispararam para o dobro dos valores que costumávamos pagar», disse à Lusa o presidente da direcção da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro (ESRBP), António Veiga.
A escola, construída em 1964, beneficiou no ano passado de uma remodelação de 10,2 milhões de euros, no âmbito do programa Renovar as escolas para o Futuro, promovido pela empresa pública Parque Escolar.
A obra incidiu na requalificação dos blocos existentes e na construção de um novo onde ficaram instalados os serviços administrativos, uma biblioteca e um auditório.
Dotada de novas tecnologias (como quadros interactivos ou projectores em quase todas as salas) e remodelada a nível de ginásio e balneários, a escola viu aumentados os pontos de distribuição de água e alterado o sistema eléctrico, que passou a funcionar de forma centralizada.
«De duas casas de banho passámos para seis, todas com torneira temporizada, que fica a correr mesmo depois de as pessoas usarem a água que precisam, tal como acontece com a luz, que acende quando alguém entra e só apaga concluído o tempo programado», explicou António Veiga.
A isto se soma o «ar condicionado, um auditório que gasta bastante energia, equipamentos informáticos e até um sistema de rega que nem sequer usamos porque seria incomportável», acrescentou.
O sistema de rega foi instalado no pressuposto de que a escola beneficiaria de arranjos exteriores e passaria a ter relva. «Esse arranjo não foi feito e ainda bem, porque escusamos de ligar o sistema para regar as ervas daninhas», ironiza o director, acrescentando: «Se ligássemos a rega, a câmara penhorava-nos a escola».
Menos de um ano depois de instaladas as melhorias, a palavra de ordem passou a ser «poupar tudo o que se pode em termos de consumos de água e de luz» para conseguir manter a escola sem dívidas.
Ainda sem orçamento de escola aprovado e sem resposta do Ministério da Educação a um pedido de reforço orçamental para compensar o aumento de consumos, António Veiga teme que «a partir de Setembro não haja verba suficiente para custear a água e a luz».
O clima temperado ajudará a que «o ar condicionado não seja ligado para poupar», mas a chegada do inverno obrigará a que «nos dias mais pequenos as luzes tenham que se acender mais cedo e os custos disparem» no estabelecimento, frequentado por 960 alunos durante o dia e algumas centenas de estudante de ensino nocturno.
A solução para o problema passaria «pela instalação de 200 metros de painéis fotovoltaicos» que, segundo o director, «foram prometidos pelo anterior presidente da Parque Escolar» e que permitiriam à escola «produzir energia suficiente para alimentar todos estes equipamentos, usar o conforto instalado e até vender alguma energia».
A Lusa contactou a Parque Escolar, mas até ao momento não obteve respostas sobre a escola intervencionada ao abrigo do programa, que tinha como objectivos, entre outros, «criar um sistema eficaz de gestão dos edifícios» e «garantir a plena utilização das instalações».
Lusa/SOL