A Câmara de Moura está a recolher informação para esclarecer dúvidas sobre a natureza do festival de música electrónica Kazantip, cuja primeira edição portuguesa, que deverá realizar-se no verão no concelho, está a ser investigada pelo Ministério Público.
«Tendo em conta as notícias» sobre a investigação do Ministério Público, «dei indicações aos serviços, que têm acompanhado o processo, para recolherem o máximo de informação possível para esclarecer todas as dúvidas ou interrogações que se coloquem sobre a natureza do festival», disse hoje à Lusa o presidente do município, José Maria Pós-de-mina.
O autarca falava à Lusa a propósito do facto de o Ministério Público estar a investigar uma queixa sobre os moldes em que decorrerá o Festival Kazantip, agendado para o próximo verão, entre 20 de Julho e 26 de Agosto, nas margens da albufeira do Alqueva, em terrenos situados no concelho de Moura.
Numa resposta enviada à Lusa, a Procuradoria-Geral da República explica que a queixa foi remetida no passado dia 6 de Fevereiro para o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, onde foi «registada e autuada como inquérito».
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o inquérito está na Polícia Judiciária para investigação.
A queixa surgiu depois de ter sido colocado, numa página da internet, um vídeo supostamente filmado numa das edições do festival, conhecido online como o «festival da orgia», e que mostra uma criança envolvida numa cena de sexo.
O presidente do município escusou-se a comentar a investigação, alegando que a Câmara de Moura «não tem conhecimento oficial da situação» e ainda não foi contactada pelo Ministério Público.
Se a autarquia for contactada pelo Ministério Público, «naturalmente, estará disponível para colaborar», frisou, referindo que o município quer que «todos os assuntos relacionados com o festival sejam esclarecidos».
Segundo José Maria Pós-de-mina, o papel da autarquia na organização do festival «tem a ver com o âmbito das suas competências», nomeadamente «com processos de licenciamento e eventuais intervenções ao nível da recolha de resíduos no terreno».
Frisou no entanto que, «até ao momento», a Câmara de Moura «ainda não emitiu qualquer licença» para a realização do festival.
Trata-se de uma matéria que «está a ser acompanhada pelo departamento sociocultural» da Câmara de Moura, disse, referindo que «tem havido contactos de responsáveis da organização do festival com responsáveis técnicos» da autarquia, e já se realizaram e estão previstas novas reuniões, algumas envolvendo outras entidades.
«Em abstracto, e sem querer referir em concreto» o Festival Kazantip, «a realização de eventos que tragam pessoas do exterior e que ajudem a projectar a região são positivos», defendeu José Maria Pós-de-mina.
No entanto, «é necessário que quem organiza os eventos cumpra regras e procedimentos», acrescentou, avisando que «atitudes de carácter ilegal, naturalmente, não serão bem-vindas ao concelho de Moura».
«É importante que haja eventos e promoção do concelho e da região, mas não a qualquer preço, como é evidente», rematou.
Lusa/SOL