O presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), Alberto Amaral, advertiu hoje que a estrutura que dirige não cederá às pressões que tem sofrido, no âmbito da certificação de cursos.
«Tenho assistido, com algum desconforto, a algumas tentativas de pressão sobre a agência e tenho assistido, [também] com algum desconforto, a algumas posições públicas tomadas, quer pelas ordens, quer às vezes por organizações dos alunos. Queria dizer que, no caso da agência, é inútil. Eu não sou absolutamente nada pressionável e nenhum dos nossos colegas é pressionável», disse o antigo reitor da Universidade do Porto.
Alberto Amaral falava durante as Conferências da Primavera, da Academia Nacional de Medicina, que decorreram no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, centradas na questão da formação de clínicos e da sua colocação no mercado de trabalho.
Na sua intervenção, o presidente da A3ES acusou os sucessivos governos de não saberem gerir a questão do acesso aos cursos de medicina e disse-lhes como fazer.
«Todos os anos, o ministro da Saúde deveria reunir com o do Ensino Superior, olhar para os números e decidir se as coisas estavam certas ou se era preciso aumentar ou diminuir o numerus clausus, percebendo que são precisos 10 ou 11 anos para os efeitos se começarem a verificar», aconselhou.
«É altura de parar para pensar. Se não houver a preocupação de ver, no ano de 2012, o que vamos precisar em 2022, podemos de novo criar sérios problemas, ou de subprodução ou de sobreprodução», alertou.
Alberto Amaral considerou que «não há falta de médicos em Portugal» e citou dados recentes da OCDE, segundo os quais o país tem 3,7 clínicos por cada mil habitantes, mais do que a média europeia, que é de 3,3.
«Com o ‘numerus clausus’ que existe neste momento, vai haver produção de médicos em excesso», referiu, explicando que a evolução registada entre 2000 e 2008 indica que o número de clínicos está a crescer anualmente 1,8 por cento, por contraponto a uma média europeia de crescimento de 1,5 por cento.
Instituída por decreto de 2007, a A3ES é uma entidade independente que faz avaliação e da acreditação de instituições e cursos de Ensino Superior.
Lusa/ SOL