A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) promove hoje uma tribuna pública na rua, em frente ao Ministério da Educação e Ciência, para protestar contra a revisão curricular, que entende ser uma ameaça de mais desemprego para os docentes.
A Fenprof estima que, com a revisão curricular, sejam eliminados 12 mil horários, dos quais 6500 no segundo ciclo, 5000 no terceiro e 500 no ensino secundário, com impacto em 10 mil professores, incluindo docentes dos quadros.
A eliminação de disciplinas e o fim dos desdobramentos das aulas de ciências experimentais são medidas que a organização sindical considera serem uma ameaça a uma classe profissional que foi a mais afectada pelo aumento do desemprego, segundo os últimos números oficiais publicados no fim do primeiro trimestre.
Tudo isto serve, segundo a Fenprof, para o governo conseguir poupar 102 milhões nos custos do sector, à custa da «redução de milhares de postos de trabalho».
No âmbito da revisão curricular, que entrará em vigor no próximo ano lectivo, o Ministério da Educação decidiu manter a Educação para a Cidadania como «intenção educativa» em todas as áreas curriculares, mas não como disciplina autónoma obrigatória.
No 2.º ciclo será mesmo dividida a Educação Visual e Tecnológica em duas áreas disciplinares, cada uma com um só professor, enquanto no 3.º ciclo vai ser antecipada para o 7.º ano a disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação, actualmente leccionada no 9.º ano.
O ministro Nuno Crato garantiu que o grande princípio orientador desta revisão foi o reforço das disciplinas fundamentais, nomeadamente língua portuguesa, matemática, história e geografia e ciências.
Na sexta-feira, a Fenprof continua na rua num protesto à revisão curricular, com concentrações marcadas junto às instalações do Ministério em Lisboa, Coimbra, Porto, Évora e Faro.
Lusa/SOL