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Portugueses da academia de filarmónica de Berlim gostavam de ensinar em Portugal

27 de Maio, 2012
Dois músicos portugueses, recentemente escolhidos para integrar a academia da orquestra filarmónica de Berlim, uma das melhores do mundo, afirmaram que gostariam de voltar um dia a Portugal para partilhar o que estão a aprender no estrangeiro.

Filipe Alves, de 21 anos, e Samuel Bastos, de 26, foram os dois portugueses escolhidos, em Janeiro e em Maio deste ano, respectivamente, para integrar a 'Herbert von Karajan Akademie der Berliner Philharmoniker', a academia da orquestra filarmónica de Berlim.

«Há uma coisa que gostava de fazer em Portugal, que era pertencer a uma escola de música. Gostava muito de partilhar tudo o que aprendi com outros estudantes», afirmou o oboísta Samuel Bastos à agência Lusa.

«Se não formos nós a fazermos alguma coisa pelo nosso país, quem irá fazer?», perguntou o trombonista Filipe Alves.

Os jovens sublinharam que o país teve sempre muitos talentos musicais, mas faltam oportunidades, infra-estruturas nas escolas e investimentos na educação musical.

«Tenho a certeza que se só estudasse oboé em Portugal seria muito difícil entrar na academia (de Berlim»do no país, mas ainda é preciso fazer mais.

«É necessário mudanças no ensino de música em Portugal, como ter maior abertura para receber alunos que venham do exterior, facilitar o intercâmbio», disse Filipe Alves.

Os dois músicos declararam que em Portugal não há uma tradição da música erudita, como em outros países europeus, que já a desenvolvem há séculos, sendo necessário trabalhar o gosto por este tipo de música.

A academia da orquestra filarmónica de Berlim foi fundada em 1972 pelo maestro Herbert Von Karajan, sendo uma das instituições de ensino mais respeitadas e disputadas pelos jovens músicos na Europa.

«O que vou fazer em Berlim, já faço em Zurique. Saio de uma academia e vou para outra. Vai ser uma experiência enriquecedora, pois tive a oportunidade de fazer dois anos de ópera e agora vou dar o salto para uma das orquestras mais aclamadas e vou fazer só sinfónica», indicou Samuel Bastos, natural de Oliveira, em Barcelos.

De acordo com o jovem - que vem de uma família de músicos e começou a tocar instrumentos aos sete anos com o pai e passou pela banda local -, agora, vai «ter a oportunidade de fazer quase todo o leque de música erudita».

O objectivo da academia, explicou o oboísta, é preparar jovens músicos com talento de acordo com as exigências da filarmónica de Berlim e das mais reputadas orquestras internacionais.

Samuel Bastos estudou no Conservatório da Fundação Calouste Gulbenkian em Braga e na Escola Superior de Música de Lisboa, antes de partir para a Suíça, onde obteve a licenciatura e o mestrado em oboé na Universidade de Artes de Zurique. Samuel vive há seis anos em Zurique e há dois anos integrou a academia da ópera da cidade.

O oboísta tem tocado em várias orquestras europeias, trabalhado com grande solistas e cantores de todo o mundo, tendo ainda recebido prémios nacionais e internacionais.

«Foi uma grande notícia, principalmente pelas oportunidades e pelas portas que se abrem a partir de agora. Além de ter a oportunidade de conviver com os melhores maestros, com os melhores músicos», disse o trombonista Filipe Alves, sobre a entrada na academia de Berlim.

O trombonista, de Tarouquela, no concelho de Cinfães, começou a tocar aos dez anos na banda da cidade, estudou na Academia de Castelo de Paiva, na Escola Profissional da Covilhã e na Academia Superior de Orquestra da Metropolitana de Lisboa, onde fez a licenciatura.

Filipe Alves disse que terá a oportunidade de «assistir a grandes concertos, grande maestros e solistas em Berlim», numa cidade muito voltada para a música e as artes.

Os dois jovens portugueses vão ter uma bolsa de dois anos em Berlim e a oportunidade de estudar com grandes músicos, além da oportunidade de tocar na orquestra da academia e também na orquestra principal.

Filipe Alves juntou-se aos colegas na academia da orquestra filarmónica de Berlim há três semanas e Samuel Bastos irá entrar no grupo no final de Agosto.

Lusa/SOL




8 Comentários
quem
28.05.2012 - 21:18
mundonovo50
28.05.2012 - 12:35

Da Gulbenkian referi o recrutamento de músicos, não de outros funcionários.

Tirando o recrutamento de músicos, sim, também vou ouvindo o que lá se passa, sem poder confirmar ou desmentir.
mundonovo50
28.05.2012 - 12:35
quem
28.05.2012 - 00:41

esse processo de seleçao parece correcto para evitar eventuais cunhas mas elas terão sempre o seu peso nas decisões finais.
essa de não haver cunhas na Gulbenkian só contaram para você
quem
28.05.2012 - 00:41
Cá em Portugal só conheço um sítio onde o recrutamento de músicos é exemplar:

na Gulbenkian.

O júri ouve o músico tocar por detrás de um pano preto.

Só um funcionário da casa sabe a ordem pela qual tocaram para o júri, porque lhes afixa um papel com uma pregadeira que diz n.1, n.2, etc.

Nem a identidade dos músicos o funcionário sabe. Isso ficou na folha da candidatura, e o funcionário que recebe e identifica os músicos no dia da selecção não é o mesmo que lhes atribui os números.

Depois de ouvidos, o júri delibera. "Fica o n. tantos em primeiro lugar", faz o júri ouvir. É aí que descobrem quem é.

Na Gulbenkian não há apelidos, nem nacionalidades, nem raças, nem cunhas.

Pelo menos, enquanto eu conheci bem aquilo, não havia.
mundonovo50
27.05.2012 - 21:13
a filarmonia de Berlim não é uma das melhores do mundo é mesmo a melhor do mundo, é é a melhor do mundo porque escolhe os melhores interpretes sejam eles filhos de politicos empresários ou trolhas, o que eles tem de mostrar é que são nuito bons mesmo os melhores o resto não conta.
mundonovo50
27.05.2012 - 21:04
concordo com o quijote e o Deixala, por cá o saber na música erudita não dá os lugares de topo a ninguem, mas uma boa cunha faz toda a diferença, basta verificar alguns solistas que vão participar no Guimaraes 2012 para constatar isso o mesmo se passa na casa da musica ou no CCB, tens padrinho ou és familiar de politico conhecido tens entrada, es talentoso um dos melhores do pais mas não tens nem cunha nem és filho de politico conhecido e estás tramado.
quijote
27.05.2012 - 18:34
Que cunhas poderiam ter accionado estes músicos de Tarouquela e Oliveira para serem aceites na Filarmonia de Berlim?
A ideia até me faz rir.
Eles só entraram porque eram os melhores que para lá concorreram.
DEIXALA
27.05.2012 - 17:20
Não tenho a certeza se lá fora não se usa a "cunha"mas uma coisa eu sei os melhores ou seja quem tem mérito é escolhido e o resto é treta infelizmente aqui não se passa a mesma coisa só tem alguma hipótese se vier das famílias políticas!
quijote
27.05.2012 - 13:54
Estes portugueses não são considerados portugueses em Portugal. Na Suissa são europeus e deram-lhes um trabalho igual ao dos outros.
Sem cunha nunca se safariam cá.


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