
No ano passado, 12 mil turistas pediram informação ao balcão de atendimento da Rota do Vinho do Porto por estarem interessados em passar férias naquela região. Um número que corre agora o risco de diminuir devido à polémica em torno da Barragem do Tua e da possibilidade de a Unesco retirar a classificação de Património da Humanidade à zona do Alto Douro Vinhateiro.
«Estamos todos preocupados porque não se está a falar da região pelas melhores razões», avisa António José Teixeira, presidente da Rota e da Associação de Empresários Turísticos de Alto Douro e Trás-os-Montes. Segundo o responsável, as linhas de alta tensão previstas para a barragem podem assustar os turistas. «A médio ou longo prazo isto terá muito impacto no turismo», diz, criticando o facto de não se apostar antes na promoção de uma região que «está na moda».
António Teixeira diz que este cenário negro foi agora agravado com a polémica relacionada com a Unesco e as obras da barragem. «Mas eu não acredito que a região seja desclassificada. Isto porque estão em causa grandes empresas como a REN e a EDP, que irão fazer os compromissos necessários para resolver a situação». Uma das hipóteses será desviar as linhas de alta tensão que ligam a Barragem do Tua à subestação de Armamar e que atravessam a região classificada como Património Mundial.
Neste momento, nada está, porém, decidido. O ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO para as questões do património construído, tem manifestado «fortes dúvidas» sobre o estado de conservação desta região, classificada há dez anos.
E não poupou críticas ao Governo por não ter incluído no dossiê de candidatura a Património da Humanidade o projecto do Tua, apesar de a sua construção estar já prevista no Plano Nacional de Barragens. Segundo adiantou ao SOL fonte oficial da UNESCO, deverá ser tomada uma decisão em Julho. Nó nessa altura irá reunir-se, em São Petersburgo, o Comité, que irá decidir se as obras têm de parar, sob pena de a região perder a classificação, ou se aceita as alterações propostas pelas empresas energéticas e pelo Estado português. Aliás, fonte oficial do gabinete de Assunção Cristas explicou ao SOL que o Ministério do Ambiente está aberto a debater e esclarecer algumas questões. Mas afasta responsabilidades, recordando que este Governo ainda não tinha tomado posse quando se deu o «arranque da obra e a candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial».
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