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Lisboa: Bombeiros denunciam falhas graves

9 de Junho, 2012por Margarida Davim
O alerta chega dos bombeiros de Lisboa: a qualidade do socorro na cidade está a ser posta em causa por uma reestruturação levada a cabo pela Câmara Municipal. Num documento enviado a António Costa, a que o SOL teve acesso, os sapadores do Sindicato dos Trabalhadores do Município (STM) falam num «retrocesso organizacional»e dão exemplos concretos da forma como as mudanças estão a afectar o auxílio prestado aos lisboetas.

Um dos problemas apontados na carta enviada a Costa é o facto de a reestruturação – iniciada em finais de Março – ter feito com que haja «apenas uma viatura de desencarceramento para toda a cidade». Por causa disso, as vítimas de um acidente na Avenida Salgado Zenha estiveram 10 minutos à espera de serem desencarceradas, quando podiam ter tido ajuda «em cerca de dois minutos», já que estavam junto a um dos quartéis da cidade. O caso, sublinham os bombeiros, podia ter sido ainda mais grave «se o acidente tivesse ocorrido em hora de ponta».

A situação tem-se repetido e, segundo o relatório do STM, «só o espírito de cumprimento do dever dos bombeiros tem evitado danos maiores».

Faltam homens e meios

Os sapadores explicam que a redução do número de homens por equipa – que passou de quatro para três – torna mais difícil o socorro, da mesma maneira que o número de viaturas nos quartéis é «manifestamente insuficiente». Razão pela qual os bombeiros dizem ser «vital a aquisição de mais alguns veículos escadas e de desencarceramento».

Uma fonte do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) explica, aliás, ao SOL que o incêndio que ocorreu na Mouraria a 25 de Maio é um bom exemplo do que está a falhar. «Foi enviada apenas uma viatura para o local. E só muito depois chegaram mais duas. Graças a isso, o fogo alastrou aos edifícios contíguos à pensão onde tinha deflagrado o incêndio».

O problema, escreve-se no documento dirigido a Costa, acontece «devido ao facto de as viaturas que saem para socorro nem sempre saírem do mesmo quartel».

A mesma fonte do RSB conta que, na quarta-feira passada, o quartel mais próximo do Aeroporto de Lisboa «esteve todo o dia sem efectivos suficientes para fazer sair uma viatura» em caso de chamada. «Se tivesse havido uma calamidade no aeroporto, o socorro demoraria o dobro do tempo necessário».

Mas é também o auxílio prestado nos acidentes que se dão no Tejo que está em causa. Segundo o relatório enviado a António Costa, o Corpo de Mergulhadores do RSB foi transferido da Avenida D. Carlos I para Chelas, onde não há sequer um tanque para treinos básicos e «desguarnecendo completamente áreas próximas da foz do rio Tejo».

Para os sapadores está em causa a qualidade do serviço de uma instituição com mais de seis séculos de existência e que tem actualmente um dos tempos médios de resposta mais rápidos da Europa. «Conseguimos chegar rapidamente a locais onde por vezes os bombeiros até têm de ir a pé, por não entrarem as viaturas, porque temos um sistema de proximidade», comenta uma fonte do Regimento, explicando que há 10 quartéis espalhados por Lisboa.

Câmara nega problemas

Contactada pelo SOL, fonte oficial da Câmara de Lisboa assegura, porém, que «estão afastadas quaisquer hipóteses de diminuição da qualidade operacional». O gabinete de António Costa sublinha que Lisboa é uma das cidades europeias com um melhor rácio de bombeiros «por quilómetro quadrado e por cada 100 mil habitantes, tendo ainda recentemente entrado ao serviço 156 novos sapadores bombeiros».

A mesma fonte frisa ainda que as «escassas alterações» feitas ao RSB «foram validadas pelo vereador do pelouro, após proposta do Comando e com o parecer favorável das chefias».

margarida.davim@sol.pt




6 Comentários
Zedk
10.06.2012 - 17:56
Com rácios de indices superiores, ardeu o Chiado, e a Igreja de S. Domingos, para só referir os mais sonantes. Do mesmo modo que quando se faz um seguro contra fogo não nos podemos limitar à cozinha, a segurança da cidade faz-se pela sua área, pelos seus valores, pelos seus habitantes, sem esquecer as condições específicas de algumas das suas zonas. Deve de ser considerado que os bombeiros não apagam fogos apenas; muitas outras tarefas lhes estão incumbidas e às quais, só quando nos tocam pessoalmente, não podem, nem devem, faltar como, por exemplo, o transporte de doentes e acidentados.
No princípio deste ano, fui ao Banco do Hospital de S. José, coincidindo com pessoas transportadas por quatro ambulâncias e diversas outras tansportadas por outros meios.
Considerando que as urgências, hoje em dia, estão centralizadas apenas em dois hospitais, imaginem em caso de acidente grave, as filas de ambulâncias para entrega dos acidentados, sem hipóteses de retorno ao local do acidente para socorrer outros.
Dizem mal do Governo...
Seria muito mais útil e interessante fazerem o rol das coisas boas que temos...
Se houver... Caso contrário, continuem.
ABA
10.06.2012 - 17:21
Não se preocupem. Tanta tropa fandanga cheia de barrigudos no 10 de Junho irão ajudar quando for preciso....
O que as autarquias e os Governos oferecem todos os anos á igreja católica para capelinhas inúteis, pois têm tantas fechadas, resolviam o problema dos bombeiros e da pobreza nacional. Só o mês passado foi uma em Belém e outra em Viseu, estando ainda uma outra à espera que a Câmara pague o que falta........
Para as outras igrejas é que não há nada, a menos que sejam da maçonaria.....
JJBAUBAU
09.06.2012 - 22:16
O rácio aplicado deve ser verdadeiro, porque Lisboa desertifica-se cada vez mais.
quartaclasse
09.06.2012 - 19:37
Gostava que todos soubessem que este senhor e a C.M.Lisboa ainda não pagaram o trabalho extra aos funcionários da Autarquia de Lisboa, realizado o ano passado nas festa da Cidade (Marchas Populares no Pavilhão e na Av. da Liberdade e o trabalho extra do Mega pic-nic também na Av. tanto falam e não cumprem ele próprio António Costa disse: trabalho feito tem de ser pago MENTIU ainda não pagou, espero que publiquem isto para que todos saibam com os políticos que temos
Zedk
09.06.2012 - 19:11
Fandum
09.06.2012 - 18:53

O Algarvez, que só tive oportunidade de ler na sua transcrição, não inventou, nem criou, qualquer personagem. Há 36 anos que é assim mas, até à data, ninguém tinha tido a abertura de espiríto suficiente para passar a situação ao "papel", em letra de máquina, com tanta perfeição.

Fandum
09.06.2012 - 18:53










Essa denúncia é a prova provada que o Algarvez tem razão.

Quem vai para político é quem nada sabe fazer, resultado:

Anda tudo ao Deus dará e não são capazes de ouvirem a voz da razão, só ouvem a voz da ideologia.

Basta a lata da cola, o "pencel", o cartão qualquer um serve, a cassete ou o CD, não esquecer os amigos e fica tudo tudo "nos conformes"

Com a devida vénia ao Algarvez, reproduzo:


Algarvez
09.06.2012 - 15:33

Bom dia.
Bom dia, diga.
Venho inscrever-me para um emprego.
O que sabe fazer?
Nada.
E o que é que quer ser se nada sabe fazer?
Quero ser político.
E quer ser político de esquerda ou de direita?
NÃO IMPORTA O LADO DESDE QUE SAQUE BEM E DE AONDE ME APETECER SACAR.
Que faz o seu pai?
Não sei, nunca o conheci.
Isso já é muito bom porque os lugares de político são só para filhos da mãe.
E a sua mãe o que faz?
É substituta.
Se fosse prostituta era mais fácil, assim...
Prostituta é a minha avó e a minha mãe a substitui nos impedimentos até ficar com o lugar.
Tudo bem, passe à noite num nestes endereços, à sua escolha, para receber a lata da cola, o pincel, o cartão e a cassete ou o CD conforme onde se dirigir e quando a sua mãe ficar com o lugar da sua avó você já será um grande filho dela, político de renome com todas as regalias com retroactivos e não se esqueça de mim.
















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