No dia em que se cumprem seis meses da demolição da Torre 5 do bairro do Aleixo, no Porto, o vereador da CDU na Câmara considerou que a cidade vai ficar com «um enorme 'ground zero' sem projecto».
Em declarações à Lusa, Pedro Carvalho criticou o projecto desenhado pela maioria PSD/CDS para aquele bairro da cidade, afirmando que «não há fundo de investimento, não há capitalização e há problemas com o realojamento» dos moradores do Aleixo.
«Vamos ter ali um enorme 'ground zero' sem projecto», disse o comunista, que defende que a Câmara deve apresentar uma alternativa à actual operação imobiliária.
A Torre 5 do bairro implodiu em cinco segundos há seis meses, no âmbito de um compromisso assumido na campanha eleitoral de 2009 pelo actual executivo, liderado por Rui Rio, que prevê a demolição das torres de 13 pisos daquele bairro.
A Câmara, que espera que a demolição do bairro esteja concluída até ao final do mandato (2013), abriu um concurso público para a criação de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) para a demolição do Aleixo, que foi ganho pela Gesfimo, do Grupo Espírito Santo.
O FEII deverá ser constituído com um capital de seis milhões de euros, tendo como principais participantes Vítor Raposo, a Espart - Espírito Santo Participações Financeiras S.A. e o município.
No início do mês, a autarquia revelou que a resolução do problema de financiamento da operação imobiliária prevista estava «no bom caminho».
O principal investidor do FEII ainda não subscreveu os 60 por cento de unidades de participação, apesar de já ter expirado o prazo contratual, tendo Rui Rio admitido recentemente que a Câmara teria que «arranjar» e iria «arranjar seguramente» o financiamento necessário.
O comunista defendeu hoje um projecto de construção de habitação social e a custos controlados para o local do Aleixo, através de parcerias «com cooperativas».
Na sua opinião, o problema de financiamento para operação imobiliária «não se vai endireitar» e a cidade precisa de mais habitação social.
«Demolir, destruir habitação social no âmbito de um projecto em que a valência social não seria social é errado», sustentou Pedro Carvalho.
Lusa/SOL