Perto de uma centena de bolseiros de investigação científica protestaram hoje, em Coimbra, contra atrasos no pagamento de bolsas e a ausência de contratos, que lhes veda o acesso a «uma segurança social condigna».
«Trabalho em regime de bolsa há vários anos, sem que me proponham um contrato» e «Não recebo bolsa há vários meses» são algumas das queixas assinaladas em missivas que os manifestantes, durante a acção de protesto, depositaram numa tômbola e que vão ser enviadas à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e ao Ministério da Educação e Ciência.
Segundo o texto que acompanha as cartas a enviar àquelas entidades, «os atrasos no pagamento de bolsas da FCT sucedem-se, empurrando muitos bolseiros para condições de vida absolutamente dramáticas em que precisam de recorrer a familiares, amigos ou empréstimos bancários para conseguirem pagar as contas do fim do mês».
«Da mesma forma, o atraso na transferência de verbas de financiamento de projectos coloca igualmente dificuldades enormes na vida dos bolseiros de projectos», adianta.
João Pedro Ferreira, da direcção da Associação Nacional de Bolseiros de Investigação (ABIC), disse que outra questão que os preocupa é o facto de «ainda não estar claro se os bolseiros vão pagar IRS ou não».
Os bolseiros «correm o risco de passar a ser tratados como trabalhadores para motivos fiscais, e mão-de-obra sem direitos para tudo o resto», lê-se no texto.
Formando uma fila indiana, os bolseiros depositaram as suas queixas numa caixa de plástico pendurada na estátua de D. Dinis, no largo com o mesmo nome, no pólo I da Universidade de Coimbra.
«Há bolseiros que assinaram contrato em Janeiro e ainda não começaram a receber», afirmou, na acção, Paulo Martins, do Núcleo de Coimbra da ABIC.
Nora, que está a fazer o doutoramento em engenharia mecânica, explicou à Agência Lusa que assinou o contrato em Janeiro e ainda não recebeu a bolsa, tendo a FCT informado que isso aconteceria no próximo mês. Tem vivido graças a empréstimos da mãe.
Novas soluções para o diagnóstico precoce do cancro do pâncreas ou para reverter o declínio das regiões mais envelhecidas e pobres do país, e a avaliação dos resultados de alguns medicamentos na prevenção e no tratamento da doença de Alzheimer são alguns dos contributos dos bolseiros de investigação para o desenvolvimento que são descritos no mesmo texto.
Lusa/SOL