Vários dirigentes sindicais de organizações médicas afirmaram na segunda-feira à noite, em Coimbra, que a greve dos médicos agendada para 11 e 12 de Julho é «irreversível».
«Neste momento, não há nenhuma força que consiga suster a indignação dos médicos», sublinhou à agência Lusa Luís Filipe Silva, do secretariado nacional do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), durante uma reunião geral de médicos realizada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Os médicos vão paralisar durante dois dias e promover uma manifestação em Lisboa, no dia 11, para protestar contra a degradação do trabalho, do Estado social e do Serviço Nacional de Saúde.
O dirigente do SIM salientou, no entanto, que «estas formas de luta são as únicas opções que conseguimos encontrar, ainda com uma certa contenção, porque havia sugestões muito mais agressivas, dada a forma como os médicos têm sido tratados».
Luís Filipe Silva adiantou que, segundo os dados das inscrições, a manifestação vai ser «muito significativa», apesar de ainda faltarem muitos dias para o protesto.
Segundo o pré-aviso de greve nacional declarada pelo SIM, os médicos não aceitam «a degradação do SNS, da qualidade do exercício técnico da medicina e da formação médica e o golpe fatal na Carreira Médica, agravada com a abertura de concurso para trabalho à peça, sob a forma de prestação de serviços, representando 2,5 milhões de horas anuais, equivalentes ao trabalho de 1700 profissionais».
Os médicos não aceitam ainda «a degradação das condições de trabalho e do exercício profissional, consequente a uma lógica liberal na gestão das unidades de saúde, que afasta os mais experientes e capazes, que dificulta a formação médica contínua, pré e pós-graduada, e que desqualifica a investigação, contribuindo para uma diminuição de qualidade».
Em resumo, explica o dirigente do SIM, os médicos batem-se «pela dignidade da profissão e pelas grelhas salariais».
«Neste momento, estamos a ser atropelados por diplomas, regulamentos e despachos que fora da mesa negocial estão a ser impostos aos profissionais, num mercado livre mais ou menos selvático, que obriga as pessoas individualmente a fazer opções, porque a alternativa é o desemprego», frisou Luís Filipe Silva.
Na reunião realizada em Coimbra para explicar os objectivos da greve nacional estiveram ainda representadas a Ordem dos Médicos, a Federação Nacional dos Médicos, a Associação dos Médicos de Carreira Hospitalar, o Movimento Médicos Unidos e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina.
Lusa/SOL