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UNESCO pede a Portugal para abrandar construção da barragem do Tua

27 de Junho, 2012
O Comité do Património Mundial da UNESCO pediu hoje ao Estado português para «abrandar significativamente» a construção da barragem de Foz Tua até à realização de um estudo sobre os impactos da hidroeléctrica no Alto Douro Vinhateiro.

O comité da UNESCO está reunido em São Petersburgo, na Rússia.

Segundo disse à agência Lusa fonte do gabinete de imprensa da organização, o comité decidiu hoje pedir a Portugal «que abrande significativamente o trabalho na barragem, enquanto está a ser realizado um estudo sobre o seu impacto no local».

O texto final desta decisão, segundo a fonte, só estará disponível no final do encontro, agendado para 6 de Julho.

No entanto, sabe-se já que o caso do Alto Douro Vinhateiro (ADV) voltará a ser analisado no próximo encontro da UNESCO, em 2013.

A proposta que estava em cima da mesa neste encontro recomendava a suspensão da construção da Barragem de Foz Tua, que se encontra em obra há 15 meses, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães.

A obra começou pouco depois de uma passagem pelo Douro da ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, uma situação que fez com que o comité colocasse em causa o comportamento do Governo português ao longo do processo.

A ICOMOS considerou «grave» e «irreversível» o impacto da hidroeléctrica sobre o património mundial e, por isso, aconselhou a paragem das obras até à visita de uma missão conjunta ao local.

Recentemente, a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, defendeu que a barragem de Foz Tua é compatível com a classificação do ADV como Património da Humanidade e afastou a possibilidade de suspender as obras por falta de verbas.

«Íamos a tempo de parar, se tivéssemos no nosso bolso os montantes para pagar as indemnizações necessárias, que são de várias centenas de milhões de euros», disse Assunção Cristas no Parlamento.

O Partido Ecologista Os Verdes anunciou que enviou um contributo para o debate sobre o Douro, que decorreu em São Petersburgo.

A dirigente Manuela Cunha explicou à Lusa que o documento se assume como um contraditório aos argumentos do Governo.

A responsável afirmou que o Património Mundial «não é compatível» com a barragem e salientou que ainda não existe ou está pronto o projecto de compatibilização da central hidroeléctrica com a paisagem, que a EDP encomendou ao arquitecto Souto Moura.

Não existe também, acrescentou, «nenhum estudo de impacte ambiental das consequências desse projecto».

Manuela Cunha acusou ainda o Governo de «falta de informação» sobre o processo e de «nunca ter dado conhecimento das respostas dadas à UNESCO» sobre o ADV.

O Douro foi distinguido como Património Mundial da Humanidade em 2001.

Assunção Cristas referiu que a barragem ocupa apenas 2,9 hectares do ADV, o que representa 0,001 por cento do total da área, pelo que considerou que aquela infra-estrutura não causa grande impacto na paisagem.

Lusa/SOL




1 Comentário
mjla
28.06.2012 - 16:37
Paisagens magníficas; destruídas as querem meia dúzia de iluminados que não sabem nem sonham sequer onde ficam a não ser nos «postais». Portugal para onde vais?
Nem sequer é um projecto rentável em termos económicos; pura destruição...


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