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Médica queixa-se de assédio moral

29 de Junho, 2012por Liliana Garcia
Foi há dois anos que Fernanda Ferrão, médica anestesista no Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede, começou a sentir-se 'perseguida' por parte do conselho de administração (CA) da altura.

Tudo começou com a instauração de um processo disciplinar por não ter assinado uma folha de alta dos doentes – alta da qual não lhe foi dado conhecimento, sendo que costumava ser apenas o cirurgião a assinar a folha.

O processo disciplinar acabou arquivado por falta de provas. Mas iniciou-se aí o desgaste psicológico que levou a anestesista a tomar medidas. «Apresentei queixa à Ordem dos Médicos (OM) e ao Sindicato Independente dos Médicos (SIM), e vou levar isto para tribunal», conta ao SOL. «Na próxima semana, dará entrada no tribunal a queixa por discriminação e assédio psicológico», revela.

Fernanda Ferrão diz que a situação a perturbou de tal forma que teve de recorrer a uma consulta de psiquiatria, tendo sido medicada e atribuída baixa.

Para trás ficavam vários episódios, como o indeferimento de pedidos de férias. Após terminar a baixa e durante algum tempo, a anestesista – que está no quadro daquele hospital há 12 anos – não tinha doentes agendados para consulta. Isto «enquanto uma anestesista contratada fazia o meu trabalho» , lembra. A direcção clínica da altura comunicou-lhe ainda que deixaria de ser necessária no bloco, devendo cumprir o horário na consulta externa, quando o seu horário era somente de bloco.

A situação de Fernanda Ferrão só mudou com a entrada do novo CA, há duas semanas: «Todos os problemas ficaram resolvidos». O actual presidente do CA do hospital não quis comentar o caso.

Em Portugal, segundo os sindicatos médicos, este tipo de queixa não é frequente. «É difícil quantificar as situações porque as pessoas têm dificuldade em reagir frontalmente e em apresentar queixa», referiu ao SOL Mário Jorge Neves, da FNAM. Mas, segundo André Biscaia, médico que fez um estudo sobre a violência contra os profissionais de saúde no local de trabalho, «calcula-se que cerca de 50% dos profissionais de saúde sofram pelo menos um episódio de violência física ou psicológica em cada ano».

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) está precisamente a desenvolver uma campanha que abrange mais de 200 instituições do sector da saúde. Trata-se da Campanha de Avaliação de Riscos Psicossociais, iniciativa que envolve 27 Estados-membros e que ocorre numa altura em que se verifica um aumento no número de autos de notícia levantados pela ACT, de assédio no local de trabalho em geral (assédio moral, sexual e violação do dever de ocupação efectiva dos trabalhadores). Em 2011, registaram-se 140 autos, face a 79 em 2010 e 77 em 2009.

liliana.garcia@sol.pt

 




7 Comentários
Adao
30.06.2012 - 08:45
»»»»»»»»»psicologogratis
30.06.2012 - 02:18 denunciar

O criminoso
"veritas"-"ABA"-"SHALOMMM"-"paralelo40"...
deve estar para chegar
e espancar a médica
com um daqueles comentários
a ferverem em ódio.

Traumas...

PORQUITO»»»»»»»»»

O idiota já agora junta lá o Adão aos nicks do ABA.

A pergunta que este idiota me desperta é: Porquê este odio "virtual" ao ABA?

Será porque na vida real o Nick ABA terá sodomizado o psicologo da treta?
52A49128Y
30.06.2012 - 07:25
Estima-se que o "mobbing" atinge hoje pelo menos 15% da população no activo.
psicologogratis
30.06.2012 - 02:18
O criminoso
"veritas"-"ABA"-"SHALOMMM"-"paralelo40"...
deve estar para chegar
e espancar a médica
com um daqueles comentários
a ferverem em ódio.

Traumas...

PORQUITO.


quijote
29.06.2012 - 23:56
Quanta mortalidade e morbilidade evitou a Fernanda com a sua coragem?
felixo
29.06.2012 - 22:24
Os responsáveis deveriam ser condenados a pagar eles próprios uma indemnização (e não o hospital como vai provavelmente acontecer neste caso) para aprender não só a respeitar os direitos básicos das pessoas mas também para não desperdiçar o dinheiro do contribuinte. Quantos doentes ficaram a espera duma consulta ou duma cirurgia por causa desta brincadeira?
quijote
29.06.2012 - 20:52
Força, Fernanda!
E se precisar de uma testemunha conte comigo.
Quem manda no bloco é o anestesista.
JoseLuis
29.06.2012 - 19:02
«É difícil quantificar as situações porque as pessoas têm dificuldade em reagir frontalmente e em apresentar queixa»

Todas estas situações de discriminação e assédio moral nos locais de trabalho, não é mais do que o reflexo do que se passa, todos os dias, em muitos sítios da nossa sociedade; como em família, nas escolas, na polícia / justiça, etc.,

Apesar das quatro décadas de democracia em Portugal, ainda estamos muito longe de vivermos num Estado de Direito, merecedor desse nome. Os nossos irmãos europeus - lá do norte do continente- estão, neste capítulo, muito mais avançados e protegidos, moral e economicamente das arbitrariedades de alguns maus dirigentes e colegas de trabalho…j/l


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