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Crise atrai pessoas para a apanha ilegal de amêijoa no Tejo

24 de Agosto, 2012por Jorge Afonso da Silva, da agência Lusa
A crise e o desemprego estão a empurrar cada vez mais pessoas para a apanha ilegal de amêijoa no estuário do rio Tejo, que diariamente é inundado por centenas de mariscadores na procura de sustento para a família.

«Nesta zona, temos 200 a 300 apanhadores por dia. Há desempregados de longa duração que vêm para aqui apanhar as amêijoas e fazer algum dinheirinho. Era ajudante de pastelaria e, como agora estou desempregado, ando a apanhar amêijoa para ter algum dinheirinho também», explica Paulo Serra, 33 anos, munido de um balde e de uma pá, usada para desenterrar os bivalves, que proliferam no rio que banha a capital.

A praia dos Moinhos, em Alcochete, é um dos principais locais para a apanha de amêijoa japónica.

Além de Paulo Serra, são às dezenas os mariscadores que, ao início da tarde de quinta-feira, aproveitaram a maré baixa e entraram Tejo adentro com a certeza de que, quando a maré subir, sairão com amêijoa, a qual será comprada a dois euros ou dois euros e meio o quilo pelos intermediários.

O alcochetense diz que, em média, quando as condições o permitem, apanha entre cinco e oito quilos por cada ida ao rio. Nos dias em que a maré «não dá», traz apenas três a quatro quilos.

Paulo Serra recorda que, há cerca de uma década, um quilo de amêijoa rendia 12 euros. Hoje, «como há muita oferta e bastantes mais apanhadores», o preço baixou drasticamente.

De galochas calçadas, seguimos em direcção a uma apanhadora. Pelo meio, vários mariscadores pediram, educadamente, para não serem filmados ou fotografados, com receio das autoridades. Não foi o caso de Lurdes Baía, 48 anos.

«Tive um tumor e, enquanto fazia os tratamentos, andei sempre aqui. Sou reformada e, como gasto muito dinheiro em medicamentos, dediquei-me à amêijoa. O meu marido, que teve um AVC [Acidente Vascular Cerebral], anda ali à frente para ajudar a fazer mais algum dinheirinho. Precisamos, pois temos a renda de casa, os remédios são um balúrdio e dedicamo-nos a isto. Não apanhamos muito, apanhamos pouco, até sermos agarrados pela polícia», diz, com um sorriso.

A crise, a falta de emprego e as dificuldades financeiras pelas quais os portugueses estão a atravessar, são, no entender da reformada, as principais razões que levam tanta gente a dedicar-se à apanha ilegal de amêijoa no estuário do Tejo, inclusive estrangeiros.

«Vê-se cada vez mais gente. Principalmente desde o ano passado, mas este ano há ainda mais pessoas. Não são às dezenas, são às centenas. Então debaixo da ponte [Vasco da Gama], nem se fala».

A maré subia rapidamente e a água chegava aos tornozelos. Os mariscadores, às dezenas, iniciavam o percurso de regresso para as margens da praia dos Moinhos, carregados com baldes ou sacos, recheados de amêijoa.

Muitos outros apanhadores, já percorriam o areal em direcção ao parque de estacionamento, onde, alguns intermediários os aguardavam para fazer o negócio. Havia ainda aqueles que descarregavam o «produto» para as malas dos automóveis, ou então prendiam a «carga» à bicicleta e rumavam a casa, até regressarem na próxima maré-baixa, indiferentes aos perigos que as amêijoas representam para a saúde pública.




2 Comentários
gipsyking
24.08.2012 - 15:22
Também há quem venda crica por causa da crise...
parasol
24.08.2012 - 14:27
O titulo é mais uma perola do jornalisno...
Podiam ter dito "seduz" em vez de "atrai"...


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