Cento e quarenta anos depois de ter sido criada, a Carris celebra na terça-feira o seu último aniversário como empresa individual uma vez que está em curso o processo que a vai juntar ao Metropolitano de Lisboa.
A 23 de agosto, o Governo nomeou José Silva Rodrigues para presidente do conselho de administração da empresa que resultará da fusão da Carris e do Metropolitano de Lisboa, um processo que deve estar concretizado até final do ano.
Na próxima terça-feira, a empresa realiza uma sessão comemorativa do 140.º aniversário, na Estação de Miraflores, com presença do novo presidente das duas empresas.
“Não tenho qualquer dúvida de que a Carris saberá dar um contributo relevante para que esta nova fase traga uma nova dinâmica na abordagem das questões da mobilidade urbana, em Lisboa, reforçando a perspetiva multimodal e a integração operacional dos diferentes modos que a constituem: o autocarro, o elétrico e o metropolitano”, refere José Silva Rodrigues numa nota enviada à imprensa.
Durante a cerimónia comemorativa dos 140 anos da empresa, a Carris será reconhecida pela SGS, organismo líder mundial em certificação, como a primeira empresa portuguesa de transporte público certificada em responsabilidade social.
Fundada a 18 de setembro de 1872 no Rio de Janeiro, a Carris só iniciou o serviço de transporte público em novembro do ano seguinte, tendo o trajeto entre Santa Apolónia e Santos sido a primeira linha de “carros americanos”: carruagens movidas por tração animal que se deslocavam sobre carris.
A empresa possuía na altura 32 “carros americanos”. Só em 1901 é que teve início o serviço dos elétricos.
A imprensa da época relatava que "a inauguração da tração elétrica satisfez completamente o público que, em grande número, concorreu a presenciar o importante melhoramento, a elegância luxuosa dos carros, a comodidade que oferecem aos passageiros e a rapidez da marcha".
Nos anos seguintes assistiu-se à total eletrificação da rede existente, ao aparecimento de novas carreiras e ao crescimento da frota.
Em 1940, para reforçar o transporte de visitantes para a Exposição do Mundo Português, que se realizou em Belém, a Carris adquiriu os seus primeiros seis autocarros e quatro anos depois foi oficialmente inaugurado o serviço de autocarros.
A primeira carreira fazia o percurso Cais do Sodré-Rotunda e a segunda ligava a Praça do Comércio à rua Miguel Bombarda.
Nas últimas décadas, devido às condições de circulação e às dificuldades da rentabilização económica e social dos elétricos, houve uma gradual diminuição do número de viaturas, bem como das carreiras que serviam.
Por outro lado, foi reforçada a frota de autocarros.
Atualmente, a Carris tem 2449 colaboradores e a frota da empresa é constituída por 642 autocarros, 57 elétricos, seis ascensores e dois elevadores.
Por causa da dívida de quase 700 milhões de euros da empresa e numa tentativa de resolver os problemas de débito que afetam todas as empresas de transporte público, o Governo aprovou em março a fusão da Carris com o Metropolitano de Lisboa, que passam a ter uma administração comum.
Para trás fica uma longa história que guarda curiosidades como uma greve, em 1912, que durou 26 dias e envolveu cinco bombas a rebentarem no Rossio e tiros em diversos locais, que provocaram vários feridos e um morto.
Também para a história ficou um parto que um motorista da Carris fez a bordo de um autocarro, em 1965, perto do Marquês de Pombal.
Lusa / SOL