segunda-feira, 20 de Maio de 2013, 16:55
Pesquisa
pesquisar
Emprego Imobiliário Motores
iPad
Idosa ferida em assalto escondeu agressão para não pagar 108€ no hospital

27 de Outubro, 2012
Uma septuagenária vítima de assalto teve de esconder que este foi o motivo da agressão que a levou ao Hospital de Vila Franca de Xira para não pagar 108 euros, além da taxa moderadora.

Jorge Santos, filho de uma idosa que foi agredida durante um assalto no dia 12, em Vila Franca de Xira, contou à Lusa que, quando chegou ao hospital para inscrever a mãe, um funcionário lhe disse: «E agora vai ser novamente roubada».

A expressão antecedeu o esclarecimento de que tinha de pagar 108 euros por este valor não ser pago pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), tal como acontece nos casos de acidentes de trabalho e de viação, os quais são cobertos pelas seguradoras.

«Nem queria acreditar. São coisas como estas que me envergonham deste país. A minha mãe estava cheia de dores, com hematomas na cara e na cabeça e estava envergonhada, pois parecia que tinha de pagar por ter sido assaltada», desabafou.

Questionou os funcionários sobre o valor que a mãe pagaria se tivesse caído na rua, ao que lhe terão respondido que, nesse caso, apenas pagaria a taxa (17,5 euros).

«A partir desse momento, disse que a minha mãe caiu e paguei apenas a taxa, mas a situação levou a que ela, com 74 anos, tivesse de mentir ao médico, estando sempre muito envergonhada durante o atendimento clínico», adiantou.

Uma utente que ligou posteriormente para o hospital a questionar sobre o valor a pagar em casos destes obteve a mesma resposta: além da taxa, tinha que pagar os 108 euros, ainda que posteriormente, se não tivesse o dinheiro na altura.

Questionada pela Lusa, a administração do Hospital de Vila Franca de Xira esclareceu que, em caso de agressão, os utentes «não têm que assegurar o pagamento do valor do episódio de urgência, bastando apenas para isso que apresentem cópia da queixa que fizeram à polícia».

«A terem ocorrido erros na cobrança, ou nas informações prestadas, eles dever-se-ão a lapsos na transmissão interna da informação, que vamos averiguar e rectificar», garantiu.

Também uma utente do Hospital de Cascais soube por funcionários que o marido, vítima de assalto, podia ter de pagar os 108 euros, caso o agressor não fosse identificado no decorrer do processo que resultasse da queixa apresentada na polícia.

A utente disse à Lusa que a funcionária terá até sugerido para dizer que não foi uma agressão, mas sim um acidente.

Porém, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) esclareceu à Lusa que, em caso de agressões físicas ou acidentes (como de viação ou trabalho), a responsabilidade financeira pertence respectivamente ao agressor (sendo necessário apresentar queixa junto das autoridades competentes) ou ao segurador.

«Enquanto a responsabilidade não é apurada pelas entidades competentes, não deve ser cobrado qualquer valor à vítima», explicou a ACSS, recusando-se a comentar o caso no Hospital de Vila Franca de Xira.

A Entidade Reguladora da Saúde também se recusou a comentar o caso, remetendo para uma circular que indica: «Quando a prestação de cuidados de saúde resulta em encargos ou despesas pelas quais as instituições hospitalares têm direito a ser ressarcidos e, mais ainda, exista um terceiro legal ou contratualmente responsável, é sobre este que recai a responsabilidade de proceder ao seu pagamento».

«No caso de inexistência de um terceiro responsável, não existe qualquer obrigação legal de pagamento de cuidados de saúde sobre o assistido [utente], beneficiário do SNS», adianta.

A Lusa contactou vários hospitais para saber qual o procedimento adoptado em casos de agressão.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o processo pode efectivamente resultar na notificação do agredido para pagar o episódio de urgência (108 euros), quando o agressor não for identificado no processo instaurado após queixa na polícia.

O porta-voz da administração esclareceu que esse valor é assumido como não cobrado, tendo em conta que a vítima já foi suficientemente prejudicada com a agressão que sofreu.

Nos hospitais que compõem o Centro Hospitalar de Lisboa Central – São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Dona Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa – é cumprida «a legislação em vigor que regulamenta o pagamento dos cuidados de saúde» (Lei de Bases da Saúde).

Esta determina que os serviços e estabelecimentos do SNS podem cobrar «o pagamento de cuidados por parte de terceiros responsáveis, legal ou contratualmente, nomeadamente subsistemas de saúde ou entidades seguradoras», não especificando o que acontece no caso dos responsáveis pelo dano físico (agressores) não serem identificados.

Lusa/SOL




10 Comentários
Arthur
29.10.2012 - 18:57
Quem não tem médico de família no SNS, vai para a porta do posto de madrugada e pode conseguir ou não a consulta. Em saúde este País está muito bem organizado. Gostam de ver é muitos camelos à porta.
Silva50
27.10.2012 - 23:37
O POVO assim o quis, assim o tem. Cada POVO só tem aquilo que merece. O POVO decidiu escolher esta cambada de javardos,Gatunos do PSD/CDS, para governar Portugal, agora aguentem. Para a próxima tenham mais juizo.
abecula23
27.10.2012 - 17:03
vale mais comprarem uns carritos topo de gama do que dar o dinheiro para a saude.

Já viram algum deputado a queixar-se de ter sido aumentado em 2012, numa média 80€ ? cambada de hipócritas
Zedk
27.10.2012 - 13:44
A lei está mal interpretada por aquele hospital e nem sequer constitue novidade.
Nos Hospitais de Coimbra, foi pedido a meu pai, diabético, hipertenso e reformado o pagamento da consulta de urgência em oftalmologia.
Embora identificado, o funcionário deu-lhe como resposta que êle próprio, diabético insulinodependente, pagava as consultas sempre que delas necessitava. Manifestada a intenção de não pagamento, saíu com prazo de 10 dias para o fazer sem penalidades.
Para obstar a mais incómodos, fez exposição do facto à administração do Hospital e ainda hoje, mais de um ano depois, aguarda notícias.
Por certo que muitas pessoas foram lesadas mas, isso são outros contos.

pontaesquerda
27.10.2012 - 13:37
pois...

viva a direita no poder!...

longa vida ao

p"s" e p"sd"...
Littlehut
27.10.2012 - 12:42
Não devemos ter vergonha de sermos portugueses, devemos sim, envergonhar-nos de termos elegido tamanhos energúmenos e não sermos capazes de os destituir dos poleiros.
Quanto mais envelhecida está a população melhor eles se aguentam nos tronos porque, infelizmente, já nem tropa capaz nós temos. Eles seriam os agentes capacitados para descerem do pódio esta cambada de malandragem que diz governar-nos.
Eu também governo a minha casa mas quando não há, não há para ninguém, em vez de haver fome para uns e marisco para outros.
CMDR
27.10.2012 - 11:39
Então se for assalto custa 108 euros e se for queda custa 17,5 euros? Se calhar o ladrão não levou tanto!
Provavelmente se alguém tivesse batido no ladrão, este era tratado de graça, recebia uma indemnização e quem se defendeu ia preso e pagava uma multa...
oscardarocha
27.10.2012 - 11:06

As disfunções do sistema e a impreparação dos seus agentes.
manuelrs
27.10.2012 - 10:59
Somos o país da pouca sorte, temos uma classe política de m****, perdoem-me a grosseria mas não tenho no meu léxico palavra pior e menos mal cheirosa, temos uma classe de dirigentes administrativos que não passam de carneiros que fazem interpretação literal das regras para agradar à tutela, no fundo não passam de sabujos e temos um POVO maravilhoso, como diz o quadrilheiro Gaspar, que tudo suporta. Assim não dá.
bigfootsousa
27.10.2012 - 10:57
Cada vez mais tenho vergonha por ser português ...


PUB
PUB
Siga-nos
Passatempo SOL & ZOO: Ganhe bilhetes duplos para o Jardim Zoológico de Lisboa.
Siga o SOL no Facebook


© 2007 Sol. Todos os direitos reservados. Mantido por webmaster@sol.pt