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App portuguesa para ajudar norte-americanos a escolher vinhos

16 de Junho, 2012por Paulo Dias de Figueiredo, da Agência Lusa
Hugo Bernardo, jovem engenheiro informático português em Sillicon Valley, Estados Unidos, juntou as suas duas paixões - enologia e tecnologias - para criar uma aplicação para dispositivos móveis (app) que ajuda os norte-americanos a escolher vinhos.

Com lançamento previsto para as próximas semanas em São Francisco, apenas à espera do 'ok' da Apple Store, a app gratuita EasyVino vai recomendar ao consumidor um vinho da sua preferência que exista no restaurante ou loja em que se encontra, com base no seu histórico de provas.

«A quantidade diferente de marcas nos restaurantes norte-americanos faz com que seja muito difícil as pessoas saberem que vinhos escolher», disse à Lusa Hugo Bernardo.

Ao contrário de Portugal, onde num restaurante ou lojas de vinho as variedades de vinho são quase todas portuguesas e até familiares dos consumidores mais atentos, nos Estados Unidos é habitual cada restaurante ter uma carta diferente, com vinhos norte-americanos, europeus, sul-americanos e de outras paragens.

A ideia da app EasyVino, a segunda desenvolvida por Bernardo depois de uma primeira de fotografias género Instagram, surgiu de um amigo que tinha um gosto específico de vinhos que não conseguia descrever aos empregados de mesa.

Avaliando através da app os vinhos que vão bebendo, os utilizadores vão criando um «perfil de paladar» e a partir deste são feitas futuras recomendações.

«O incentivo para o utilizador dizer se gostou ou não é que as recomendações vão ser mais adequadas no futuro, há uma vantagem», afirma Bernardo.

O modelo de negócio passa por cobrar uma percentagem sobre encomendas de vinho pela internet.

«Vamos conhecer o paladar dessas pessoas melhor até do que eles próprios, conseguimos ir ao mercado negociar melhor para fazer ofertas direccionadas ao que as pessoas gostam», afirma o engenheiro informático português.

Após o lançamento, o grande desafio será aumentar a cobertura, incluindo mais cartas de vinho e mais regiões do país.

Para já, apenas serão cobertos espaços comerciais no centro de São Francisco e Palo Alto, em Sillicon Valley, num total de 150 restaurantes.

O objectivo é ir alargando nos próximos meses até «500 a 600» restaurantes, incluir lojas de vinho e supermercados em São Francisco.

Depois do grande pólo tecnológico da Costa Oeste dos Estados Unidos, deverão seguir-se as cidades de Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Miami e Boston.

No futuro, Bernardo pretende incluir países como Brasil, China ou Alemanha, «com pouca produção doméstica, mas que têm uma cultura de consumo» e dimensão.

O desenvolvimento da aplicação, financiada pelo jovem empreendedor, foi feita por apenas três pessoas a tempo inteiro, duas delas em Portugal, uma equipa que deverá ser alargada proximamente com um comercial para os contactos com o retalho.

Depois de feito o lançamento com sucesso, Bernardo prevê procurar financiadores para a expansão da empresa.

Esta é a quarta empresa que Hugo Bernardo lança desde que acabou o curso superior em 2000, após uma primeira de software para telemóveis, outra de blogs e a mais recente app Piictu, uma rede social centrada na partilha de fotografias.

Com EasyVino, Bernardo junta as tecnologias à paixão dos vinhos, a que está ligado como gestor da empresa que explora o vinho Quinta de Tormes para a Fundação Eça de Queirós.

«Não faço ideia do que o futuro dirá, mas gosto de trazer produtos para o mercado», afirma o jovem português.

Lusa/SOL




2 Comentários
icebreaker
17.06.2012 - 19:42
quem tem melhores vinhos também deveria apostar em melhores App destas..

Portugal só perde na quantidade de vinho que produz, pois na qualidade está muito bem.. e do Norte ao Sul, que até no Algarve já se está a produzir bom vinho..

a dificuldade está mesmo aqui!.. como vender um bom produto, mas que niguém conhece?.. só mesmo com uma App, que seja gratuita de preferência, e que dirija o consumidor para o seu perfil pessoal

boa ideia!.. não vai é poder chamar portuguesa a uma aplicação que vai ser comprada e distribuída pela Apple.. quando muito foi criada por uma empresa ou por um empreendedor português, o que já é muito bom, e motivo de orgulho.. parabéns!..
antas
16.06.2012 - 13:23
A melhor forma de os nossos empresários venderem vinhos lá fora é associarem às técnicas modernas o velho sistema dos contactos diretos entre produtores e pontos de venda.
Estes deverão ser o alvo principal para quem quiser evoluir num mercado altamente competitivo.
No passado recente havia grandes marcas de vinhos que para melhor venderem e promoverem os seus produtos davam especial atenção ao binómio vendedor /cliente não sendo este o consumidor final que é facilmente manipulado por muitos factores que vão desde a arrumação nas prateleiras das grandes superfícies até às sugestões interesseiras dos empregados dos restaurantes.
Até os restaurantes populares tinham a especial atenção dos produtores que pessoalmente os contatavam porque estes tinham consciência da sua importância para promover os seu produtos chegando ao ponto de os fornecer com substanciais descontos .
Na década de sessenta do século passado esta técnica de vendas foi usada com sucesso pelos vinhos da família Borges.
Já agora uma irónica coincidência ,era ainda António Borges um estudante liceal e já a sua rica família tinha consciência da necessidade de haver incentivos para aumentar a produtividade mas sabendo eles como ninguém que há sempre quem se aproprie do incentivo alheio inventaram umas fichas de plástico onde imprimiam valores de prémios e introduziam-nas entre a rolha da garrafa e o seu invólucro cumprindo o verdadeiro objetivo compensar o agente mais importante da cadeia comercial.
Outro que também sabia da poda embora de origem plebeia Chama-se Sousa Cintra ,certo dia num restaurante pediu água mineral da sua empresa ,quando o empregado lhe trouxe uma da concorrência imediatamente após um telefonema ,mandou calmamente suspender a refeição até que chegasse uma encomenda de dez caixas de garrafas da sua água como oferta para o dono do restaurante .
Passou-se comigo e não vou reproduzir aqui a catadupa de impropérios que Cintra dirigiu ao seu chefe de vendas durante o telefonema mas reproduzo o seu comentário final :Isto foi só uma piç@da
para lembrar -lhe que o alto salário que eu lhe pago não é para ele se encostar à bananeira .O Restaurante situava-se a cerca de dois quilómetros dos armazéns.



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