Há 17 anos, aos 30 anos de idade, o ex-baixista do Guns N' Roses, Duff McKagan, foi parar no hospital com uma crise de pancreatite aguda induzida pelo consumo excessivo de álcool.
McKagan começou a beber para controlar os ataques de pânico de que sofria desde a adolescência, com o tempo a quantidade de álcool ingerida aumentou e afirma que no expoente máximo do consumo bebia «4.5 litros de vodcka por dia», que substituiria por dez garrafas de vinho por dia quando decidiu diminuir a dose.
Apesar de não culpar a vida de roqueiro pelo seu vício, conta que, por causa do sucesso que a banda alcançou repentinamente, não teve «tempo para lidar com a síndrome de pânico, que estava na raiz do consumo», que funcionava como uma espécie de «automedicação».
Em determinada altura, o pâncreas do ex-Guns inchou até ficar do tamanho de uma bola de rugby. Não aguentanto a pressão, o órgão - que é vital à sobrevivência e não pode ser transplantado - rompeu-se, libertando enzimas digestivas que provocaram queimaduras de terceiro grau no interior do organismo.
A escolha, nesse momento, foi entre uma morte regada a álcool e drogas ou a vida. McKagan escolheu a vida.
Explicou em entrevista à BBC que, no período do internamento, recebeu injecções de morfina e que estas não lhe tiraram as dores. Seria então que perceberia «que a situação era muito séria».
Quando se descobre que o pâncreas tinha aumentado para o dobro, o médico informa-o de que uma parte tem de ser cortada. Perante essa informação, MaKagan terá implorado: 'Matem-se'.
As duas semanas de internamento que passou no hospital foram de sofrimento e reflexão sobre como tinha sido possível «chegar àquele ponto».
'Não bebia água há dez anos'
Com a alta hospitalar, rejeitou as clínicas de desintoxicação e optou por praticar ciclismo de montanha.
Para se afastar das más influências - «não conhecia ninguém sóbrio» - «andava de bicicleta».
Se, «no começo parecia autoflagelação», punia-se por ter decepcionado mãe e alguns dos seus amigos, com o tempo começou a sentir-se «inteiro». Explica que começou «a comer comida saudável e a ler livros» e, mais importante que isso, passou a beber água, pois «não bebia água, literalmente, há dez anos».
Ao interessar-se por uma vida sóbria quis aprender sobre finanças. «Tinha 30 anos, estava sóbrio e milionário e não sabia o que era uma acção», simultaneamente, «não confiava em ninguém da indústria da música». Começou a estudar numa escola comunitária.
Interessou-se pela vida académica e matriculou-se de na Universidade de Seattle.
Hoje escreve uma coluna regular na Playboy – Duffonomics - e fundou uma empresa de administração de bens que ajuda músicos a controlar as suas finanças.
Se acha que os Guns N' Roses podiam ter feito a música que fizeram sem o estilo de vida que os acompanhava? Não, «o nosso primeiro disco era todo sobre a vida que levávamos», «tivemos que ir aos extremos para criar aquelas canções».
SOL