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ModaLisboa: Deixar o coração na passerelle

12 de Março, 2012por Raquel Carrilho
No último dia da ModaLisboa, quando já tudo fazia prever que esta seria uma edição marcada por uma certa mediania criativa, Ricardo Dourado, Pedro Pedro, Alexandra Moura e Filipe Faísca, contrariaram essas expectativas. Cumprindo o ditado de que o melhor fica para último, estas quatro colecções destacaram-se como as melhores de toda esta edição da ModaLisboa – juntamente com a de Luís Buchinho, logo no primeiro dia.

Depois dos desfiles de Ricardo Andrez e Marques’Almeida terem marcado o começou do dia, Ricardo Dourado mostrou as suas propostas inspiradas nos Rioters. O designer criou uma colecção com um forte espírito de rua, agressiva e até violenta, com pontos de contacto com a colecção anterior, mas indo ainda mais longe no exercício dos volumes e cortes. Foi também a estreia de Ricardo Dourado na criação de roupa para homem, o que veio fortalecer, ainda mais, o seu universo criativo.

De seguida, as expectativas estavam altas para o desfile de Pedro Pedro, que, nas últimas edições, conseguiu apresentar sempre um trabalho consistente e surpreendente. O designer não desiludiu ninguém. Pelo contrário. Mantendo a sua busca incessante por um equilíbrio entre o workwear e o couture, Pedro mostrou uma colecção urbana, com tecidos luxuosos, que contrariam o espírito deprimido trazido pela crise. Foi uma colecção feminina, com uma definição de elegância moderna que voltou a confirmar o talento de Pedro Pedro.

Alexandra Moura foi outra das grandes surpresas do quarto e último dia da ModaLisboa. Com o tema ‘Agri…doce’, a colecção não teve nada de agridoce. Com o objectivo de trabalhar o confronto entre estrutura e romantismo, urbano e rural, a criadora conseguiu atingir um equilíbrio perfeito nestas dualidades. A colecção mostrou propostas com a assinatura Alexandra Moura e outras, em que explorou novas silhuetas e tecidos pouco usuais no seu trabalho. Sempre com o saber que caracteriza o seu trabalho e com uma vitalidade sedutora.

A fechar o dia e esta edição da ModaLisboa, Filipe Faísca transformou a dor em fonte de inspiração para uma colecção cujo ponto de partida foi o luto. As dores de amor, da morte, da perda em geral, ganharam forma na passerelle e transportaram a plateia para uma viagem pessoal, ao universo do designer, mas também ao seu próprio íntimo. Sempre com a elegância que caracteriza o seu trabalho, Filipe Faísca apresentou uma colecção estruturada, com muito trabalho de modelagem e cortes em viés, que resultou sempre em peças fortes, sem serem, no entanto, agressivas. As peças com uma espécie de ‘trança’ no próprio tecido – feitas com pontos dados à mão através de uma rigorosa técnica de esquadria –, bem como os plissados, foram momentos altos no desfile. Foi um desfile de encerramento cheio de emoções, que provou que a criação é também um acto de coração.

raquel.carrilho@sol.pt

 




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