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O santuário dos caracóis

30 de Abril, 2012por Raquel Carrilho
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Todos os anos a tradição se repete. Chega Abril e começam a aparecer nas montras cartazes improvisados onde se lê ‘Há caracóis!’. Todo o restaurante de bairro, tasca e tasquinha oferece o mesmo petisco. Muitos nem se atrevem a prová-los, tal é o asco que provocam. Para outros, porém, é o melhor petisco do Verão. Com tempero apurado e acompanhados por uma cerveja gelada, os caracóis são também sinónimo de Verão.

Mas há casas e casas. Na zona de Lisboa, o painel consultado pelo SOL não hesitou em eleger aquele que, por norma, já é considerado o santuário dos caracóis, o restaurante O Filho do Menino Júlio dos Caracóis, normalmente abreviado para o Julinho dos Caracóis.

Este ano a temporada arrancou ainda mais cedo, a 12 de Abril, e durará até à primeira semana de Setembro. Neste período, este é o palco de autênticas romarias para degustar estes moluscos gastrópodes.

O seu proprietário, Vasco Rodrigues, considerado o ‘rei do caracol’, herdou este negócio fundado pelo pai, o tal menino Júlio, em 1958. Começou por ser uma taberna que vendia comida e carvão, mas foram os caracóis que lhe renderam a fama.

Quando tinha 21 anos, Vasco tomou conta da casa e fê-la crescer de 40 lugares para 310. «Vou fazer 50 anos e tenho uma vida dedicada a este restaurante de alma e coração. Gosto tanto disto que preferia dormir aqui do que em casa!». Não é de admirar. Vasco nasceu ali. Literalmente. «Na parte detrás da taberna havia a nossa habitação e, como os meus pais tinham perdido uma filha no parto na maternidade, disseram que, a partir daí, os filhos nasceriam todos em casa. E assim foi». Era criança quando comeu pela primeira vez caracóis e a verdade é que nunca enjoou. «Quando começa a época, às 22h cozo a última panela do dia e como quatro ou cinco pratos. Depois é que janto. Faço isto todos os dias».

Quando não há caracóis sente saudades e, claro, o negócio ressente-se, mas não poderia ter «caracóis o ano todo porque não prestam. Era deitar abaixo o que construímos estes anos todos».

Os seus caracóis vêm de Marrocos, onde crescem selvagens. Esse é o primeiro segredo. Depois vem a lavagem, fase fundamental para assegurar o sabor, feita de um dia para o outro e reforçada no próprio dia. «A minha mulher esteve 26 anos a lavar caracóis sem parar». Quando os braços não podiam mais compraram uma máquina que lava 15 quilos de cada vez. Segue-se a cozedura – 30 minutos em lume brando –, cebola, alho, sal e um segredo. «Os meus pais sempre me pediram para guardar o segredo. Aliás, quando tomei conta do restaurante o meu pai esteve comigo dois anos até me revelar como se faziam os caracóis. Eu próprio tenho duas filhas que foram criadas ali e trabalham comigo, mas ainda não sabem o segredo».

Durante a época do caracol, todos os dias, às 16h, Vasco Rodrigues coloca a primeira panela no fogão. Não revela quantos quilos coze diariamente, mas a fila nunca pára. Há clientes que aprenderam ali a gostar de caracóis, outros que vêm de propósito do Algarve, Leiria, Fátima e até de Paris. «É um cliente português que vive lá e que já se meteu num avião só para vir comer um pratinho». O cliente mais ‘sôfrego’ comeu 15 pratos de seguida. Mas a casa tem outros recordes: um grupo de sete amigos, num final de tarde, bebeu 362 imperiais. Afinal, não há casamento mais feliz.

As escolhas de... 

Joaquim Monchique
(actor e apresentador)

1 - O Filho do Menino Júlio dos Caracóis
(Rua Vale Formoso de Cima, 140 B – Olivais)

2 - Palácio
(Rua Prior do Crato, 142 – Alcântara)

3 - Pinóquio
(Praça dos Restauradores, 79 – Baixa)

 «Todos eles pelas mesmas razões: o bom serviço, a simpatia e, claro, os óptimos caracóis!».

João Gil
(músico)

1 - Lagoa Azul
(Avenida D. João, 10 A – Almada): «São fabulosos! Dá a ideia que o caracol vem com os ares do Alentejo e estaciona ali em Almada, nem atravessa o rio!».

2 - Eduardo das Conquilhas
(Rua Capitão Leitão, 8 – Parede): «São também muito bons e ficam na minha zona!».

3 - O Filho do Menino Júlio dos Caracóis: «Tal como os outros sítios não precisa de promoção, já tem clientes de sobra, mas não é fácil temperar caracóis e, nestes sítios, está sempre garantido».

Fernando Pereira
(cantor e imitador)

1 - O Filho do Menino Júlio dos Caracóis: «Existem, na região de Lisboa, dezenas de lugares onde se fazem bons caracóis e eu sou um grande apreciador. Nos últimos 30 anos, este é um dos sítios onde tenho degustado os melhores!».

2 - Caracóis da Esperança
(Rua da Esperança): «Mantém-se o argumento!».

3 - Eduardo das Conquilhas: «Além dos belíssimos caracóis, também faz boas conquilhas e tudo o que é marisco».

raquel.carrilho@sol.pt




4 Comentários
icebreaker
01.05.2012 - 18:24
não é preciso ir ao Caracoles em barcelona, que por cá temos bastante malta desta.. e com um "desinfectante" de cevada bem fresquinho, escorregam ainda melhor..
icebreaker
01.05.2012 - 18:04
não é preciso ir ao Caracoles em barcelona, que por cá temos bastante malta desta.. e com um "desinfectante" de cevada bem fresquinho, escorregam ainda melhor..
icebreaker
01.05.2012 - 18:02
já agora o "holandês dos caracóis" em Portimão..

o holandês não voa mas as imperiais sim, e as salsichas são mesmo da terra dele.. os caracóis vêem de Marrocos como todos os outros.. só falta mesmo uma "fumaça" para a curtição ser completa..
00SEVEN
01.05.2012 - 07:44
Que horror!

Só de pensar dá-me nojo!


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