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O Carlos errado: relatório garante que estado do Texas condenou inocente à morte

16 de Maio, 2012
Acusado de matar uma mãe solteira em 1983, Carlos de Luna foi condenado à morte através de injecção letal por um tribunal do Texas em 1986. 25 anos depois uma investigação da Universidade de Direito de Columbia publica provas de que uma investigação descuidada e um juízo apressado conduziram à morte de um inocente.

O estudo, que o The Independent classifica como «sem precedentes», foi levado a cabo por uma equipa de 12 estudantes que um um professor orientou ao longo de seis anos. O grupo liderado pelo professor James Liebman analisou minuciosamente o processo onde Carlos de Luna é acusado de ter esfaqueado até à morte uma mulher, mãe solteira, enquanto esta trabalhava no turno da noite de uma bomba de gasolina em Corpus Christi, no estado norte-americano do Texas.

O relatório é uma narrativa da jornada de De Luna, desde a noite de 4 de Fevereiro de 1983 - em que Wanda Lopez foi morta e De Luna encontrado pela polícia escondido debaixo de uma pick up - até à câmara da morte onde lhe foi administrada a injecção. 

Desde o primeiro até ao último dia, o homem declarou a sua inocência e garantiu conhecer a identidade do assassino, de acordo com De Luna, o culpado seria um outro Carlos, de sobrenome Hernandez. Acusação essa que não foi tida em conta pelo tribunal que considerou tratar-se de uma invenção de um homicída desesperado.

 

As falhas do sistema

De acordo com o relatório, o resultado do julgamento terá sido condicionado por vários factores. Por um lado, antes de morrer Wanda terá ligado para a polícia, tinha visto um homem com uma faca a rondá-la, no entanto, a polícia, que tardou a chegar, já a encontrou sem vida. A investigação da equipa de Columbia, avança a hipótese de que o julgamento atabalhoado e a pressa que foi imprimida no processo tiveram como objectivo cobrir a falha policial na noite do crime.

Por outro, a afirmação de De Luna de que o culpado pelo crime seria um Carlos Hernandez foi considerada ficção pelo tribunal, no entanto, os estudantes de Columbia descobriram que em Corpus Christi existia mesmo um homem com esse nome, com uma longa história de violência atrás de si e que era conhecido por ter sempre consigo uma faca do mesmo tipo da que matou Wanda Lopez. Algum tempo depois seria preso pelo homicídio de outra mulher.

Outra falha grave encontrada tem que ver com a ausência de sangue na roupa do acusado, quando o local do crime estava completamente ensanguentado. Para além disso, não foram feitos testes à arma do crime, nem recolhidas amostras das unhas da vítima para ajudar a identificar o assassino.

O relatório conclui ainda que a pena capital foi aplicada tendo por base apenas a palavra de duas testemunhas oculares.

SOL




10 Comentários
ilion
20.05.2012 - 17:35
É este um dos motivos pelos quais eu sempe fui, sou e serei contra a pena de morte. Olha se esta situação me acontecesse a mim ou a algum dos meus? Eu ia lá querer saber de estatísticas, percentagens de certezas, do factor erro humano, etc! Quem é que disse: "é melhor deixar 99 culpados soltos do que um só inocente na cadeia"?
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19.05.2012 - 03:30
oops!
Ahamed
17.05.2012 - 20:47
Na china o ano passado apareceu um homem supostamente assassinado por outro que entretanto tinha sido executado com um tiro na nuca !Países a onde existe pena de morte pode suceder estes crimes!
No entanto a crimes cometidos que até merecem a pena de morte ,mas terá que ser um julgamento com 100% de certezas,não pudera nunca haver uma milionésima % sequer de duvida!
Ahamed
17.05.2012 - 20:42
Um erro ignóbil!Quem condenou e conduziu a dita investigação deveria responder por este crime hediondo!
antas
17.05.2012 - 09:14
Que o fantasma de Cervantes te atormente quando escreves barbaridades.
vendap
17.05.2012 - 01:59
quijote
16.05.2012 - 19:44
O gajo dos tiros na estrada foi encontrado pendurado pelo pescoço. Aqui foi ainda mais rápido, sem juri e sem advogado. Os EUA estão a milhas da nossa eficácia.
quijote
16.05.2012 - 19:44
Foi julgado por um tribunal de juri e teve direito a um advogado de defesa. Humanamente não é possível dar mais garantias.
ABA
16.05.2012 - 19:20
Defendo a pena de morte que deveria existir em Portugal e em toda a U.E. pelo menos para casos de terrorismo; mas nunca havendo dúvidas. In dubio pro reu! Lamentável este poder policial!
vicentearaujo2
16.05.2012 - 16:09
... a nomear "ditadores sanguinários do eixo do mal e-coisa-e-tal", antes de bombardear,invadir e pilhar...
pontaesquerda
16.05.2012 - 14:21
os cow-boys do texas sempre foram muito rapidos...a matar indios...a escravizar negros...a humilhar mexicanos...todo um rol de desumanidades...


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