A pequena Pikitim, de cinco anos, regressa a casa, na quinta-feira, depois de uma volta ao mundo na companhia dos pais, sem saber do que mais gostou nos 285 dias da viagem por 13 territórios diferentes.
“A Pikitim só não gosta que lhe perguntem de que país gostou mais. Porque diz que nunca vai saber a resposta. Mas gosta de contar que viu muita gente diferente, paisagens muito bonitas e que percebeu que a Natureza ‘é muito inteligente’ e ‘faz coisas maravilhosas’. E isso é o mais importante”, relatam os pais, num texto enviado hoje à Lusa.
Depois de dez meses de viagem, a Pikitim regressa a casa vinda de Miami, “com muitas histórias para contar e muitos desenhos para mostrar aos amigos”, acrescentam.
Filipe Morato Gomes, cronista e fotógrafo de viagens, e Luísa Pinto, jornalista, iniciaram em Janeiro uma volta ao mundo com a filha de quatro anos, com a promessa de voltarem no final de 2012 e irem relatando a sua experiência no Diário de Pikitim .
Quando saiu de Portugal, a menina “encheu uma pequena mochila com livros, cadernos para desenhar, bonecas em miniatura e um jogo de cartas”, mas o que trouxe da viagem “não cabe em nenhuma mochila de escola”, dizem os pais.
Nos últimos dez meses, a família esteve em países e territórios como Singapura, Tailândia, Malásia, Filipinas, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Nova Caledónia, Vanuatu, Fiji, Samoa, Ilhas Cook e Estados Unidos da América.
Durante a volta ao mundo, a Pikitim “olhou por telescópios para ver estrelas e planetas nos céus limpos do hemisfério sul, espreitou para o fundo do mar para ver tartarugas, golfinhos, mantas e peixes coloridos nos oceanos Índico e Pacífico”, descrevem Filipe Morato Gomes e Luísa Pinto.
Para além disso, a menina, agora com cinco anos, “correu atrás de cangurus e emas, patos e pelicanos, espantou-se com o tamanho da ‘casa’ de algumas formigas e com o barulho provocado por um vulcão activo”.
Comeu muita coisa diferente “e não gostou de tudo o que experimentou”, dormiu “em casas na árvore e sobre a água, experimentou tendas e caravanas, e até viveu temporariamente em tradicionais casas sem paredes”, descrevem.
“Brincou, sonhou, cresceu, aprendeu, desenhou. Desenhou muito”, sublinham os pais.
Agora, a menina está “entusiasmada com o regresso”.
“Quer voltar à escola, para contar aos amigos e à professora as muitas coisas que viu e aprendeu. E matar saudades. Para logo pensar nas próximas viagens: as que gostaria de fazer já para o ano, para visitar os amigos que fez na viagem”, dizem Filipe Morato Gomes e Luísa Pinto.
“Quando for adulta, quero ver todos os países do mundo, claro. Mas aí não me vai chegar um ano. Acho que vou precisar de dois”, disse a Pikitim aos pais.
Antes de partir, Luísa Pinto explicou à Lusa que um dos objectivos da viagem era “comprovar que ter uma criança não pode ser impeditivo de nada, pelo contrário”.
A intenção não era dizer a toda a gente para fazer o mesmo, mas “desmistificar que seja um problema” programar uma viagem com crianças que não se limite a um “resort” não muito distante e com tudo incluído.
Aconselhado pelo pediatra de Pikitim, o casal preferiu excluir zonas do planeta, como África, de maior risco de contracção de doenças, mas teve de incluir duas “exigências” da filha.
“Ela diz que quer sítios com peixinhos coloridos e casas nas árvores”, contou então a mãe.
A família pretendia conhecer e dar a conhecer “projectos com notórias preocupações ecológicas e de sustentabilidade ambiental”, pelo que privilegiou alojamentos “amigos do ambiente” e experiências de preservação da vida animal.
“Acreditamos sinceramente que a estrada é a melhor escola da vida e que esta viagem dará à pequena Pikitim preciosas ferramentas para o seu crescimento, sementes a partir da qual germinará uma cidadã tolerante, solidária, responsável, perspicaz”, afirmaram os pais na apresentação do projecto.
Lusa/SOL