PSD – Passos a dar

As europeias são, pois, um teste decisivo para Montenegro. Mas que soluções tem para junho de 2024?

Luís Montenegro prepara-se para fazer alterações internas no PSD, através de um congresso de revisão estatutária, marcado para novembro. Curiosamente, para o fim de semana de 25 de novembro. E não é por acaso que esta revisão estatutária terá, no essencial, a imposição da eleição de todas as estruturas do partido, concelhias e distritais, num único momento, que, necessariamente, vai ocorrer antes do congresso eletivo do próximo ano. 

Montenegro quer, e precisa, ter o partido na mão e, novembro, será o momento certo para brilhar e apresentar o cabeça de lista às eleições europeias.

O país vive em sobressalto. O PS desgasta-se com trapalhadas sucessivas que têm minado a maioria absoluta. As sondagens confirmam a tendência de crescimento do PSD e a desconfiança em relação ao Governo e ao partido que o sustenta. Paira no ar a mudança.

As europeias são, pois, um teste decisivo para Montenegro. Mas que soluções tem para junho de 2024?

Quanto a isso, não tenho dúvidas, Pedro Passos Coelho é o melhor candidato para o país, para o partido e para Montenegro.

Para o país, porque tem um enorme reconhecimento na Europa. Não nos podemos esquecer que tirou Portugal da bancarrota em que o governo do PS nos havia, uma vez mais, deixado.

 

Para o PSD, que disputa votos com a IL e o Chega, Passos retira-lhes espaço eleitoral. Para além disso, pode possibilitar a inclusão do CDS de Nuno Melo.

Há ainda que deixar uma nota para o imprevisível Rui Moreira. Já se ouviu de tudo. Possível cabeça de lista do PS e até do PSD às eleições do próximo ano. Não é fácil perceber o que ambiciona o presidente da Câmara do Porto, mas creio que aceitaria ser o número dois de uma lista encabeçada por Passos Coelho.

Para Montenegro, esta opção é uma oportunidade única para resolver o mito sebastiânico Passista que muitos setores do país e, sobretudo, os militantes do partido têm alimentado.

E Passos, aceitará? A pergunta de um milhão de dólares. Mas, contraponho com outra: porque não?

 

Passos Coelho terá pouca margem para recusar prestar este serviço ao PSD. Mais, neste momento, as Europeias podem ajudar a fixar eleitorado, ditando o futuro próximo dos partidos portugueses. Se ninguém travar o crescimento do Chega e IL, dificilmente o PSD voltará a ser governo ou a eleger um Presidente da República, sem o beneplácito destes.

Para António Costa, será uma derrota devastadora e o caminho só pode ser o da demissão. Recorde-se como Costa assaltou o poder no PS, depois de Seguro ganhar as Europeias e, acima de tudo, quando perdeu as legislativas de 2015 e, ainda assim, não hesitou em formar um governo apoiado pelo BE e PCP.

 

Nove anos depois, neste cenário, é o próprio primeiro-ministro que vai a eleições. E, se perder, terá sido a escolha derradeira dos portugueses entre Passos Coelho e António Costa.