Querida avó,
Uma das coisas melhores do meu trabalho é ficar a conhecer, profundamente, o nosso país, as nossas gentes tradições, gastronomia … tão diferente de norte a sul de Portugal.
Recentemente conheci Paredes, onde está patente a tua exposição.
Uma espécie de tesouro escondido bem no Vale do Sousa, a poucos minutos do Grande Porto. Aqui, a vida rural convive em harmonia com a cidade. O concelho é conhecido por produzir uma grande percentagem do mobiliário português, graças ao “saber-fazer” que chegou com os “Brasileiros de Torna-Viagem”. Estes, impulsionaram a indústria local bem como a cultura e a arquitetura.
Um dos melhores exemplos é o “Palacete da Granja”, o edifício pertenceu a Joaquim Bernardo Mendes, um português regressado do Brasil.
Em meados dos anos 40, após o falecimento de Joaquim Bernardo Mendes, foi alugado à Câmara pela família deste, passando aí a funcionar os paços do Concelho.
No início dos anos 1990, a Câmara Municipal de Paredes procedeu à sua recuperação e posterior dinamização como Casa da Cultura, que gostei imenso de conhecer.
Ir à descoberta deste concelho é como ler um livro onde cada página tem cor, textura e sabor. Da madeira dos móveis ao sabor da gastronomia, do silêncio dos mosteiros ao cantar das festas, Paredes guarda muito de quem somos.
Visitei a “Senhora do Salto” e fiquei a saber mais sobre a lenda que dá nome ao local. De forma resumida, narra que um cavaleiro foi salvo da queda mortal, ao encomendar-se à Virgem, em nome da sua devota amada. Diz o povo que as cinco grandes marmitas representam as quatro patas e o focinho do cavalo que aterrou, milagrosamente, incólume.
Espero que, um dia, voltemos a Paredes. A forma como fomos recebidos, fez-nos sentir que parte do nosso coração está neste chão.
Agora, se não te importas, vou deliciar-me com o Doce Tremoceiro, uma tentação da gula que devia ser descoberta por todos.
Bjs
Querido neto,
Obrigada por teres levado a exposição sobre a minha vida e obra para a Biblioteca Municipal de Paredes. Fiquei muito feliz por ter voltado ao município.
Já não tenho idade para andar a fazer longas visitas culturais! Quando lá voltares, não deixes de visitar as Igrejas de São Cristóvão de Louredo e de São Tomé de Bitarães. Aconselho-te, vivamente, a conheceres o Mosteiro de Cete, assim como os Pelourinhos e o restante património.
Já que gostas tanto de fazer caminhadas, não te esqueças que Paredes dispõe de quatro trilhos para tal. Cada um destes trilhos é um convite à descoberta da riqueza do património do Concelho, enquanto podes desfrutar da beleza dos inúmeros espaços verdes que Paredes tem para oferecer.
Tenho idade é para estar sossegada a ler os livros do meu querido, e saudoso, Daniel Faria.
Não imaginas a alegria que senti, quando soube que vai nascer a “Casa-Museu” Daniel Faria, numa freguesia de Paredes.
Como sabes, é dos meus poetas preferidos. O edifício do antigo palacete e antiga Escola Básica de Baltar, de onde era natural, vai ser reconvertido na “Casa-Museu” Daniel Faria numa merecida homenagem ao poeta.
O espaço irá acolher o espólio de Daniel Faria e funcionará como polo cultural, integrando um auditório e várias valências para promover a literacia, estando, também, ao serviço da comunidade escolar.
Segundo a Vereadora Beatriz Meireles: «No interior vai ter uma escadaria central inspirada num dos poemas de Daniel Faria, o ‘Carrossel’».
Comeste o Cabrito assado no forno? Para mim, o Doce Tremoceiro também foi uma belíssima descoberta. Provaste, porventura, os Doces da Mansinha e a Regueifa? Em breve é época da Sopa Seca.
Como vês razões não nos faltam para voltarmos a Paredes.
Fala com a Beatriz para darem a conhecer essas riquezas a todos os portugueses.
Obrigada por acompanhares esta avó que tanto te ama.
Bjs