Emprego de qualidade não tem de ser necessariamente qualificado, diz ministra

“Um emprego de qualidade abrange qualquer posto de trabalho, portanto todo o emprego está aqui em questão”

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social disse esta sexta-feira que o emprego de qualidade não tem de ser necessariamente qualificado. Rosário Palma Ramalho acrescenta que o Governo pretende bons salários para todos.

“Um emprego de qualidade não é um emprego qualificado, necessariamente. O que se pretende é que todos os empregos, sejam de profissões altamente qualificadas, mediamente qualificadas ou não qualificadas, do ponto de vista dos ‘skills’ [qualificações], sejam de qualidade”, disse a ministra.

Aos jornalistas no Porto, à margem do Fórum Social, no Palácio de Cristal, a governante sustentou que empregos de qualidade significa que têm “salários adequados, que haja boas condições de trabalho, de segurança e saúde, que permitam formação profissional, nomeadamente formação requalificante para adaptação à era digital e que permitam uma conciliação adequada entre o trabalho e a família”.

Rosário Palma Carvalho salientou que “um emprego de qualidade abrange qualquer posto de trabalho, portanto todo o emprego está aqui em questão”, reconhecendo que “é verdade” que o salário médio português “é um dos mais baixos” da Europa.

“Há um ano e meio que este Governo está a trabalhar nisso, e como sabem já celebrou, no ano passado, um acordo tripartido nessa matéria em que subiu o salário mínimo acima daquilo que estava previsto”, lembrou a ministra. 

Para a governante, essa trajetória deve-se “continuar a cumprir”, assinalando que o acordo tem “uma previsão de atualização até 2028″ que tem de ser reavaliada “porque entretanto a legislatura passou a ir até 2029, e a meta do Governo também subiu dos 1.000 euros em 2028 para os 1.100 em 2029, portanto nós estamos a trabalhar na subida de salários”. 

Questionada sobre qual o valor previsto para o aumento do salário mínimo para 2026, a ministra não quis antecipar anúncios, vincando apenas que o valor “será o que está inscrito no acordo que está em vigor”, que estabelece os 920 euros em 2026, acima dos atuais 870 euros brutos.