Esta semente comum em Portugal pode substituir a carne (e tem mais proteína)

Investigação brasileira e alemã desenvolve alternativa à carne rica em ferro, zinco e magnésio.

Investigadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no Brasil, em parceria com o Instituto Fraunhofer, na Alemanha, desenvolveram uma alternativa vegetal à carne feita a partir de sementes de girassol. O produto, ainda em fase de testes, destaca-se pelo elevado valor nutricional e pode ser uma opção para quem procura reduzir o consumo de carne ou adotar uma dieta vegetariana ou vegan.

Como é feita a carne vegetal de girassol

A base do substituto é a farinha de girassol, obtida depois da extração do óleo das sementes. Os investigadores testaram duas versões: uma com sementes de girassol torradas e outra com proteína de girassol texturizada, que apresentou melhor consistência e textura semelhante à carne. Para melhorar o sabor e a textura, adicionaram tomate em pó, especiarias e uma mistura de óleos vegetais, incluindo girassol, azeite e linhaça.

Rica em proteínas e minerais essenciais

Os testes laboratoriais revelaram que o produto fornece quantidades significativas de minerais essenciais, como ferro, zinco, magnésio e manganês, chegando a cobrir quase toda a necessidade diária de magnésio e cerca de metade das doses recomendadas de ferro e zinco. Estes nutrientes são particularmente importantes para pessoas que não consomem carne, muitas vezes carentes desses minerais em dietas vegetarianas ou vegans.

Porquê sementes de girassol?

O girassol apresenta várias vantagens como base para a carne vegetal. É amplamente disponível, não é geneticamente modificado e permite aproveitar subprodutos da indústria do óleo, promovendo economia circular. Além disso, contém elevado teor de proteína natural e tende a causar menos alergias do que soja ou frutos secos.

Potencial sustentável e de mercado

Este substituto de carne à base de girassol representa uma alternativa saudável e sustentável, alinhada com tendências globais de consumo de proteínas vegetais. Para além de reduzir o impacto ambiental da produção de carne, aproveita resíduos industriais, adicionando valor à cadeia do girassol. Os investigadores salientam que, embora promissor, o produto ainda precisa de ser testado em larga escala e passar por processos regulatórios antes de chegar às prateleiras.