Ministro anunciou maior investimento de sempre… de António Costa

No debate do OE, Castro Almeida foi aplaudido pela bancada do PSD ao dizer que foi agora anunciado ‘o maior investimento estrangeiro de sempre. Ora, o investimento foi anunciado por António Costa há anos  e esteve  na origem da Operação Influencer.

O ministro da Economia anunciou com pompa e circunstância, durante o debate sobre o Orçamento do Estado, o maior investimento direto estrangeiro de sempre em Portugal, na ordem dos 8,5 mil milhões, ultrapassando o da Autoeuropa que continua a ser visto como a maior aposta no mercado nacional. «Foi anunciado o maior investimento estrangeiro de sempre em Portugal: 8,5 mil milhões de euros no Data Center de Sines, onde 12.600 chipes de última geração darão suporte à infraestrutura da Microsoft, a partir de 2026», disse Manuel Castro Almeida aos deputados. Um anúncio aplaudido pelos deputados sociais-democratas, que o ministro rematou: «É um verdadeiro caso de sucesso do país».

Reprodução vídeo da RTP notícias

O Nascer do SOL tentou saber junto do Ministério da Economia se o ministro não teria feito confusão nos investimentos em causa, mas o gabinete de Castro Almeida limitou-se a reenviar-nos as declarações proferidas pelo ministro no Parlamento, sobre o anúncio em outubro do «maior investimento estrangeiro de sempre».

A verdade é que o montante investido no projeto do centro de dados de Sines que o ministro referiu no seu discurso escrito proferido no Parlamento já tinha sido anunciado pelo anterior Governo de António Costa e foi precisamente o que esteve na base da Operação Influencer, que conduziu à queda do ex-primeiro-ministro e do Governo de António Costa.

Em causa, segundo o Ministério Público, estão suspeitas de corrupção, tráfico de influência, prevaricação e outros crimes relacionados com vários grandes projetos em Portugal, nomeadamente o de Sines.

Projeto PIN

É certo que o investimento da Microsoft no Data Center que, na altura, foi apresentado, foi classificado como ‘Projeto de Potencial Interesse Nacional’ devido ao impacto que poderá vir a ter na economia do país. Também a localização foi escolhida à risca. Sines é a porta de entrada para a informação que chega através de cabos submarinos.

Ao Nascer do SOL, a Microsoft confirmou apenas a parceria com a britânica Nscale para dar suporte à infraestrutura de inteligência artificial (IA) da empresa tecnológica. Um projeto que foi anunciado também pela Start Campus e pela AICEP, que fez o acompanhamento e apoio do projeto.

A agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal considera que este investimento «reforça o papel de Portugal como hub digital europeu, integrando o país na vanguarda das infraestruturas tecnológicas que suportam o desenvolvimento da IA, contribuindo para a atração de investimento estrangeiro de elevado valor acrescentado, em linha com a estratégia nacional de transição digital e energética». E acrescenta que «vai permitir alimentar a infraestrutura de Inteligência Artificial da Microsoft na Europa, posicionando Sines como um polo tecnológico de referência, capaz de combinar computação de alta densidade e sustentabilidade».

Em relação a esta parceria, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, veio também afirmar: «Trata-se de um projeto de impacto estratégico, que exemplifica o caminho a percorrer em matéria de políticas públicas em torno de infraestruturas críticas».

Já o CEO da Start Campus considerou que «este é um momento decisivo», referindo que com esta parceria, o primeiro edifício SIN01 atinge a sua capacidade máxima, «já se encontrando em expansão devido à elevada procura, e comprovando que o SINES Data Campus é um exemplo de sucesso a nível mundial, preparado para receber volumes de trabalho de IA de última geração». Robert Dunn anunciou ainda o lançamento, em breve, do próximo edifício, o SIN02 de 180 MW.

E acenou com o estudo da Copenhagen Economics, em que o investimento em centros de dados no país deverá contribuir com cerca de 26 mil milhões de euros para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional até 2030, gerando dezenas de milhares de empregos e «consolidando a posição de Portugal como um centro de infraestrutura digital soberana e sustentável». Para já, o centro de dados já contribuiu com 311 milhões de euros para o PIB nacional e gerou 1.700 empregos.

Recorde-se que o Sines Data Center deverá estar a operar em pleno em 2030, alimentado por energia 100% verde. Com uma capacidade energética prevista de 1,2 gigawatts, a empresa quer aproveitar os sistemas de captação e descarga que já existem na antiga central a carvão para arrefecimento com água do mar.

Quando foi inaugurado o primeiro edifício, em fevereiro, SIN01, a Start Campus assinalou a data. «A IA já é uma realidade em Portugal e estamos orgulhosos de estar na vanguarda dessa transformação. Nosso projeto tornou possível um novo mercado global de centros de dados que não existia», disse. A este vão-se somar mais cinco edifícios.

Governação tremida

Este caso soma-se às polémicas em torno da ministra da Saúde, que tem estado debaixo de críticas e de pedidos de demissão. Ainda nesta quarta-feira, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, recusou comentar as notícias que dão conta que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, manifestou vontade de abandonar o cargo, afirmando como «especulações que começam e acabam nos jornais»

.E acrescentou: «Todos no Governo sabemos isto: se há alguém no Governo que herdou uma herança pesada, e que tem feito, e tem que fazer, e vai continuar a fazer um trabalho hercúleo para resolver um problema dramático deixado no Serviço Nacional de Saúde, se há alguém que essa herança pesada, mas a capacidade, a confiança para a resolver, é seguramente a ministra da Saúde Ana Paula Martins».

Também o primeiro-ministro já tinha recusado, nesta terça-feira, responder se a governante está ou não de saída. Ainda assim, alertou que «seria um falhanço global», incluindo do Governo, se o país não aproveitasse a atual estabilidade «política, económica e financeira» para ter «um crescimento seguro, constante e duradouro».

A gota de água foram as declarações da ministra, na sexta-feira, quando confrontada com a morte da grávida, afirmou que casos como este dizem «maioritariamente» respeito a grávidas que «nunca foram seguidas durante a gravidez, que não têm médico de família» e que são «recém-chegadas a Portugal, com gravidezes adiantadas que não têm dinheiro para ir ao privado, grávidas que algumas vezes nem falam português e que não foram preparadas para chamar o socorro. Por vezes, nem telemóvel têm».

Uma situação que dois dias mais tarde foi ‘desmentida’ pelo administração do Hospital, ao reconhecer que a grávida de 36 anos que morreu na sexta-feira depois de ter tido alta dias antes estava a ser acompanhada nos cuidados de saúde primários desde julho e admitiu ter transmitido informações erradas à ministra da Saúde devido «à inexistência de um sistema de informação clínica plenamente integrado, que permita a partilha automática de dados e registos médicos entre os diferentes serviços e unidades». O caso levou à saída do administrador do hospital.