Portugal é o país da Europa onde mais mães se sentem mentalmente sobrecarregadas

As mães portuguesas enfrentam uma acumulação de fatores de stress, agravada por condições laborais pouco flexíveis e desigualdade na partilha das tarefas domésticas

Mais de oito em cada dez mães portuguesas (81%) afirmam sentir-se mentalmente sobrecarregadas, o valor mais elevado entre os 12 países analisados no estudo “State of Motherhood in Europe 2024”.
A média europeia situa-se nos 67%, com Portugal à frente de Espanha (78%) e Irlanda (77%), segundo o relatório conduzido pela empresa Kantar para a organização Make Mothers Matter (MMM).


Saúde mental materna em risco em Portugal

O estudo alerta para uma “crise de saúde mental materna” na Europa, associada à sobrecarga de tarefas, falta de apoio institucional e rigidez no trabalho.
Em Portugal, 49% das mães consideram insuficiente a duração da licença de maternidade, e 54% estão insatisfeitas com o valor das prestações recebidas nesse período — ambos entre os níveis mais altos da Europa.

Segundo a MMM, as mães portuguesas enfrentam uma acumulação de fatores de stress, agravada por condições laborais pouco flexíveis e desigualdade na partilha das tarefas domésticas.


Carreiras interrompidas e falta de flexibilidade laboral

O relatório indica que 35% das mães europeias alteraram o seu estatuto profissional após o nascimento dos filhos — reduzindo horários ou abandonando temporariamente o mercado de trabalho.

Em Portugal, a principal razão apontada é o desejo de passar mais tempo com os filhos, mas muitas mães também referem falta de flexibilidade nos horários e custos elevados das creches.

A MMM defende que o regresso ao trabalho deve ser acompanhado de medidas concretas de apoio, como horários adaptáveis, teletrabalho e apoios financeiros à infância — medidas de que apenas uma minoria de mães portuguesas diz beneficiar.


Falta de reconhecimento social e desigualdade na divisão de tarefas

O estudo revela ainda que 56% das mães em Portugal sentem que o seu papel não é reconhecido pela sociedade, refletindo uma perceção generalizada de desvalorização da maternidade.

Em linha com a média europeia, 63% das tarefas domésticas e de cuidados continuam a ser desempenhadas exclusivamente pelas mães, independentemente de estarem ou não empregadas.

A organização alerta que esta sobrecarga não é apenas um problema individual, mas sim um desafio social e económico, que exige políticas públicas robustas que valorizem o trabalho de cuidado como essencial à estabilidade e ao bem-estar social.


Um retrato preocupante da maternidade moderna

O estudo “State of Motherhood in Europe 2024” baseia-se em respostas de 9.600 mães de 11 países da União Europeia e do Reino Unido.
As conclusões mostram que a maternidade continua a implicar sacrifícios pessoais e profissionais significativos, sendo Portugal um dos países onde o impacto é mais severo.

Para a MMM, reconhecer, apoiar e valorizar o papel das mães é uma condição fundamental para garantir uma sociedade mais equilibrada e saudável.Portugal é o país da Europa onde mais mães se sentem mentalmente sobrecarregadas