Obra ‘abominável’ apresenta Donald Trump crucificado

‘Santo ou Pecador?’ é da autoria do artista britânico Mason Storm, conhecido pela sua arte satírica

O artista britânico Mason Storm é conhecido pelas suas obras provocadoras que satirizam as hipocrisias da sociedade moderna fazendo frequentemente referências à arte clássica (como Caravaggio, Johannes Vermeer ou Norman Rockwell) combinadas com ícones da cultura pop, filmes, televisão. Recentemente, o artista que se tem mantido no anonimato, usando máscaras e passa-montanhas, surpreendeu o público com a escultura intitulada Saint or Sinner? (em português, Santo ou pecador?), em exibição na Basler Kunstmeile, na Suíça. A obra retrata o Presidente dos EUA, Donald Trump, vestido com um uniforme de presidiário, com os olhos fechados e o corpo estendido sobre uma cruz branca acolchoada e ligeiramente inclinada, evocando uma possível crucificação — ou uma execução por injeção letal. 

«É assustadoramente realista», disse Konrad Breznik, proprietário da galeria Gleis 4, onde a obra está exposta, à AFP. «Quando a instalámos, chegámos tão perto que dava para ver cada ruga, e a pele é tão realista que chega a ser assustador», reforçou. E não foi preciso muito até a obra ter sido vendida. «O comprador é uma pessoa de renome internacional e, portanto, deseja permanecer anónimo», disse a galerista Melanie Breznik. «O valor está na casa das centenas de milhares de dólares», adiantou ainda. 

Sobre o significado da escultura, a galeria remete para um podcast com o mesmo nome, cujo anúncio afirma que esta «levanta questões sobre moral, religião, poder e duplo padrão social». A obra de Storm pretende, sobretudo, levantar a questão «radical»: «Será que alguém pode ser, ao mesmo tempo, santo e pecador?». «E quem tem o direito de julgar?». Ao deixar para o público a resposta a essas perguntas, o artista coloca o espetador no papel de juiz, salvador e testemunha. «A provocação aqui não é um fim em si mesmo, mas um método de esclarecimento», anuncia a galeria. Assim, a obra é «um teste aos nossos próprios padrões morais». 

Segundo os galeristas Mélanie e Konrad, esta escultura «é mais relevante do que nunca», e isso torna-se ainda mais evidente «considerando o papel de Trump no acordo Israel-Palestina, o seu pedido de indicação ao Prémio Nobel da Paz e as ações simultâneas como o afundamento de supostos navios de cartéis venezuelanos, que resultou em diversas mortes». «A figura está pendurada num ângulo de 45 graus, deixando em aberto ambas as possibilidades – santo ou pecador. Se estivesse na vertical, seria a cruz; se estivesse deitada, o leito de execução», explicou Breznik. 

‘Escandalosa’ e ‘abominável’

Segundo a Schweizer Radio und Fernsehen (SRF) – rede de radiodifusão de língua alemã da Suíça –, nas redes sociais e no portal de notícias católico kath.ch, vários fiéis já começaram a expressar a sua indignação. Muitos dizem que a obra de arte é de «mau gosto» e «ofende a sensibilidade religiosa». O professor de teologia Simon Peng-Keller, por exemplo, considera que esta é «uma obra de arte escandalosa». A mesma publicação revela que um bispo da Áustria classificou-a como «abominável».

Os responsáveis pela galeria não têm poupado esforços para proteger a escultura. Existe um sistema de vigilância 24 horas, sensores na vitrina, sistemas de alarme e várias rondas de segurança ao longo do dia. 

Na sua conta de Instagram Mason Storm descreve-se da seguinte forma: «O artista que as pessoas adoram amar e adoram odiar, um bon vivant internacional, um vendedor de pigmentos e um realizador de feitos». Recorde-se que uma das suas obras mais conhecidas é intitulada Monkey Parliament, em português, Parlamento dos Macacos. O artista substitui políticos por macacos para criticar o sistema político. O cenário lembra o Parlamento britânico. 

Saint or Sinner está em exposição em Basileia até meados de novembro.