O Banco de Portugal considera “prudente os cidadãos manterem algum dinheiro físico disponível”, reforçando a importância do numerário como instrumento essencial para garantir o funcionamento da economia em caso de falha tecnológica.
A orientação consta do Boletim Notas e Moedas, publicado no final de outubro, em que o banco central analisa o impacto do apagão informático que afetou o país na primavera de 2025.
Segundo o documento, “o apagão expôs a vulnerabilidade de um ecossistema de pagamentos cada vez mais dependente de infraestruturas eletrónicas. Numa economia em transição para os meios digitais, há que reforçar a importância do numerário como meio alternativo de pagamento em contexto de crise e, em particular, de falha de eletricidade”.
Quanto dinheiro deve ter em casa?
Embora o Banco de Portugal não indique uma quantia específica, outras entidades europeias têm publicado orientações concretas.
Num relatório do Banco Central Europeu (BCE) recomenda-se que as famílias da considerem ter em casa em numerário entre 70 e 100 euros por pessoa como reserva de emergência em dinheiro físico.
De forma semelhante, nos Países Baixos, o De Nederlandsche Bank (DNB) recomenda que cada lar mantenha cerca de 70 euros por adulto e 30 euros por criança, o suficiente para fazer face a uma interrupção de pagamentos eletrónicos de até 72 horas.
Estas orientações funcionam como referência prática: cada família deve ajustar o montante às suas necessidades e hábitos de consumo, privilegiando notas de pequeno valor e moedas para facilitar pagamentos essenciais.
Boas práticas para guardar dinheiro físico em casa
- Guarde o dinheiro num local seguro e discreto, de preferência dividido em notas pequenas (5, 10 e 20 euros).
- Reserve o suficiente para 2 a 3 dias de despesas essenciais, como alimentação, transporte e medicamentos.
- Evite guardar valores elevados — o objetivo é ter liquidez de emergência, não poupança.
- Verifique periodicamente o montante guardado, ajustando-o à inflação ou a mudanças no custo de vida.
- Considere a segurança doméstica: utilize cofres ou locais protegidos e informe-se sobre eventuais coberturas de seguros.
Estas medidas não substituem os meios digitais, mas permitem manter autonomia financeira em caso de falha tecnológica — um cenário que o apagão de 2025 tornou mais real.
O apagão e a vulnerabilidade dos sistemas digitais
O Banco de Portugal analisou ainda o comportamento dos levantamentos durante o apagão:
“No dia do apagão, o número de levantamentos nas caixas automáticas recuou 40%, e o montante total movimentado diminuiu 30% relativamente à média diária de abril.”
Nos dias seguintes, tanto o número de operações como o valor levantado cresceram, sinal de que “muitos consumidores terão realizado levantamentos extraordinários” para compensar as transações falhadas ou “reforçar reservas de numerário, motivados por preocupações pessoais e pelas notícias que enfatizaram a utilidade do dinheiro físico em momentos de crise”.
Dinheiro físico como rede de segurança
Na principal conclusão do boletim, o Banco de Portugal enfatiza que “o dinheiro físico não é apenas um meio de pagamento: é também um recurso estratégico de continuidade operacional. Funciona como rede de segurança, assegurando que a economia prossegue mesmo quando a tecnologia falha.”
Por isso, o banco central defende que é essencial “preservar uma rede capilar de pontos de acesso a numerário, distribuída de forma equilibrada no território”.