Greve geral. Confederação fala em decisão “extemporânea e desproporcionada”

A confederação recorda que o anteprojecto ainda se encontra em fase preliminar de discussão no âmbito da Concertação Social, “não sendo ainda conhecidas as propostas finais do Governo nem o resultado do diálogo social entre parceiros sociais”.

A CTP – Confederação do Turismo de Portugal considera “extemporânea e desproporcionada a convocação de uma Greve Geral para o dia 11 de dezembro, anunciada pelas centrais sindicais CGTP e UGT”, no contexto das negociações em curso sobre o anteprojecto “Trabalho XXI”.

A confederação recorda que o anteprojecto ainda se encontra em fase preliminar de discussão no âmbito da Concertação Social, não sendo ainda conhecidas as propostas finais do Governo nem o resultado do diálogo social entre parceiros sociais. Daí, a CTP entender que a convocação de uma greve geral antes da conclusão das negociações “é um sinal negativo e prematuro, que não contribui para um ambiente de confiança e diálogo que o país necessita de preservar”.

O presidente da CTP, Francisco Calheiros, acrescenta ainda: “A greve é um direito constitucionalmente consagrado, mas deve ser exercido com responsabilidade e proporcionalidade e apenas quando estiverem esgotadas as vias de diálogo. Neste momento, o processo negocial está em curso e não é razoável paralisar o país sem sequer se conhecer o resultado das negociações”.

A Confederação recorda que Portugal se encontra ainda numa fase de recuperação económica e de consolidação do emprego, em particular no setor do Turismo, um dos mais afetados pelas crises recentes e simultaneamente um dos que mais contribui para o crescimento do país.

“Uma greve geral nesta fase transmite uma mensagem de instabilidade e prejudica a confiança dos investidores, dos trabalhadores e dos visitantes internacionais. A isto acresce o caos diário no aeroporto de Lisboa, pelo que a CTP vê com muito pessimismo o que está a acontecer em torno de uma atividade económica essencial para o país. ‘Um dia a galinha dos ovos de ouro fica infértil’”, salienta.

A CTP reafirma a sua disponibilidade total para continuar a participar ativamente na Concertação Social, contribuindo para soluções equilibradas que promovam melhores condições de trabalho, mas também maior competitividade e sustentabilidade das empresas.

“É inevitável e desejável que o Anteprojeto Trabalho XXI venha corrigir algumas das medidas menos equilibradas da Agenda do Trabalho Digno, mas esse debate deve ser feito no espaço próprio — a Concertação Social — e não nas ruas”, refere o Presidente da CTP.