A troca de galhardetes entre o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, e o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, marcou o penúltimo dia da cimeira tecnológica em Lisboa.
A polémica começou quando o governante afirmou, citado pela Agência Lusa, que as críticas da organização sobre a alegada falta de capacidade do aeroporto de Lisboa para receber voos privados durante o evento foram “um excesso de linguagem”.
“Em 102 voos que foram pedidos, apenas sete foram recusados, e por várias razões. Portanto, manifestamente, foi — eu diria — um excesso de linguagem por parte de um dos fundadores da Web Summit”, afirmou o ministro, à margem de uma visita à Siderurgia Nacional, no Seixal.
A resposta de Paddy Cosgrave não se fez esperar. Questionado sobre o tema, o irlandês afirmou que viu os comentários do ministro e reagiu com ironia:
“O trabalho dele é garantir que a infraestrutura é perfeita, o meu trabalho é trazer as melhores pessoas do mundo a Lisboa e definir quem são as melhores pessoas”.
O CEO acrescentou que o aumento da procura por jatos privados, cerca de 70% num ano, segundo dados da NAV, “é um dos muitos sinais positivos” do impacto internacional do evento.
A troca pública de declarações surge após uma notícia do Expresso, que citava o Financial Times, dando conta de que vários jatos privados com destino a Lisboa estavam a ser desviados para Badajoz, em Espanha, devido à falta de capacidade do aeroporto da capital portuguesa durante a Web Summit.
A organização do evento confirmou entretanto ter recebido queixas de delegados que foram obrigados a aterrar fora de Lisboa.
Web Summit com recorde de participação
Nesta edição, a Web Summit reuniu 71.386 participantes de 157 países, incluindo 1.857 investidores de 86 nacionalidades, números que confirmam o crescimento do evento desde que se mudou para Lisboa, em 2016.
Sobre o futuro da cimeira, cujo contrato com Portugal termina em 2028, Paddy Cosgrave disse ter ouvido “rumores de um novo e enorme espaço em Lisboa”, mas adiantou que ainda é cedo para discutir o tema.
O empresário aproveitou ainda para deixar outro recado, desta vez à hotelaria:
“Se alguém aumenta os preços em 500% e depois se queixa de falta de reservas, não tenho muita simpatia”, afirmou.
Cosgrave referiu que, segundo um inquérito aos participantes, 40% dos visitantes optaram por ficar em apartamentos ou alojamentos locais, como o Airbnb.