O Brasil teve uma presença robusta na Web Summit 2025. Qual foi o principal objetivo dessa participação?
O objetivo foi mostrar que o Brasil está a transformar o seu ecossistema de inovação num modelo mais abrangente e inclusivo. Trouxemos quase 400 startups, representando todo o país – desde o Norte e o Nordeste até o Distrito Federal – com projetos que vão do agronegócio sustentável às tecnologias de inteligência artificial, passando por fintechs, healthtechs, edtechs e bioeconomia. Demos prioridade a empresas lideradas por mulheres e empreendedores de comunidades periféricas, porque acreditamos que a inovação precisa refletir a diversidade social e regional do Brasil. A Web Summit é uma montra mundial. Estar aqui significa afirmar o Brasil como um país criativo, tecnológico e comprometido com um desenvolvimento mais justo e sustentável.
A ApexBrasil lançou em Lisboa um programa de incubação para startups brasileiras. O que se pretende alcançar com esta iniciativa?
Portugal tem sido um parceiro estratégico de primeira linha. A afinidade cultural, a língua e o ecossistema dinâmico de inovação em Lisboa fazem do país uma ponte natural entre o Brasil e a Europa. Selecionámos dez startups brasileiras para participar num programa de incubação de nove meses, aqui em Lisboa. Terão acesso a mentoria, investidores e parcerias locais, com apoio da ApexBrasil e de instituições portuguesas. Queremos transformar Lisboa num ponto de partida para a internacionalização das nossas startups e num espaço de convivência entre os ecossistemas lusófonos de inovação. É o primeiro passo de um projeto que pretendemos expandir anualmente.
A sustentabilidade e a COP30 estão muito presentes nas suas intervenções. Como se articula essa visão com a inovação e o empreendedorismo?
A inovação é uma ferramenta essencial para enfrentar a crise climática. A COP30, que o Brasil está a acolher em Belém, é um marco simbólico para mostrar ao mundo que desenvolvimento e sustentabilidade podem andar juntos. Muitas das startups que trouxemos à Web Summit já trabalham com esse foco: biotecnologias limpas, gestão de recursos naturais, monitorização por satélite, economia circular, energia renovável. O que procuramos é transformar conhecimento científico em soluções de mercado. O Brasil tem talento, biodiversidade e capacidade tecnológica. O desafio é unir tudo isso numa agenda económica sustentável – e é isso que estamos a fazer.
O Acordo União Europeia–Mercosul continua em debate. Que importância tem para a internacionalização das empresas brasileiras?
Este acordo é uma oportunidade estratégica. Ele não se resume a reduzir tarifas – trata-se de abrir caminhos para a cooperação em tecnologia, inovação e sustentabilidade. Queremos que as empresas brasileiras participem nas cadeias de valor globais com produtos e serviços de alto valor agregado. Portugal pode ter um papel decisivo neste processo, como parceiro histórico e interlocutor privilegiado entre o Brasil e a União Europeia. A ApexBrasil acredita que o fortalecimento desta relação permitirá atrair investimento europeu em tecnologia limpa e exportar soluções inovadoras desenvolvidas no Brasil. É um passo importante para consolidar uma relação de confiança e benefício mútuo.
Como a ApexBrasil tem apoiado as startups brasileiras a competir no exterior?
O nosso foco é preparar as empresas para o mundo. Desenvolvemos programas de internacionalização, capacitação e apoio à presença em feiras e missões empresariais. Trabalhamos com o Sebrae, o Serpro e outras instituições, para fornecer ferramentas que ajudem as startups a expandir-se globalmente. O diferencial brasileiro está na criatividade e na capacidade de resolver problemas reais. Temos empreendedores que saem de contextos desafiantes, mas criam soluções tecnológicas com enorme potencial de impacto. Queremos que essa inovação chegue aos mercados internacionais, sempre com propósito e compromisso social.
Que mensagem gostaria de deixar sobre o papel do Brasil no ecossistema global de inovação?
O Brasil quer ser visto como um parceiro de confiança – inovador, sustentável e inclusivo. A nossa delegação na Web Summit reflete o país que estamos a construir: diverso, criativo e preparado para os desafios do futuro. A relação com Portugal é central nesse processo. Mais do que parceiros económicos, somos aliados estratégicos numa visão de inovação que une valores e propósito. O caminho é longo, mas estamos a avançar com consistência. O Brasil está a afirmar-se como uma potência de inovação verde e social, com um modelo de desenvolvimento que pode inspirar o mundo.