Governador do Banco de Portugal alerta para riscos de concentração tecnológica na banca

Responsável lembrou que, nos últimos anos, têm sido criados regulamentos específicos para mitigar estes riscos tecnológicos e reforçar a resiliência das instituições financeiras

O governador do Banco de Portugal (BdP) alertou esta terça-feira para os riscos crescentes associados à concentração de infraestruturas tecnológicas no setor financeiro. Álvaro Santos Pereira sublinhou que esta tendência cria “pontos de vulnerabilidade sistémica”.

Dependência de poucos prestadores aumenta vulnerabilidade do sistema financeiro

Na intervenção de abertura da 8.ª edição do Grande Encontro Banca do Futuro, Álvaro Santos Pereira destacou que a atual fragmentação da cadeia de valor bancária “coexiste com uma concentração de infraestruturas tecnológicas”.

Segundo o governador, “o setor financeiro depende de cada vez mais de um número limitado de prestadores de serviços, ’cloud computing’ e plataformas de Inteligência Artificial (IA)”, uma dependência que “cria pontos de vulnerabilidade sistémica”.

Santos Pereira alertou ainda que uma única falha num destes prestadores “pode paralisar várias instituições financeiras”.

O responsável lembrou que, nos últimos anos, têm sido criados regulamentos específicos para mitigar estes riscos tecnológicos e reforçar a resiliência das instituições financeiras.

IA é uma oportunidade, mas exige governação robusta

Na sua intervenção no encontro organizado pelo Jornal de Negócios, Álvaro Santos Pereira abordou também o papel crescente da Inteligência Artificial na atividade bancária, afirmando que a IA “permite aprofundar modelos de risco, o atendimento e aconselhamento aos clientes, a recomendação de produtos ou serviços e até mecanismos de deteção de fraude”.

Ainda assim, o governador, citado pela agência Lusa, defendeu a necessidade de “modelos de governação seguros, transparentes e eficazes” para garantir que a tecnologia é utilizada de forma responsável.