Zelensky acredita ser possível alcançar “fim digno” da guerra com a Rússia nos próximos dias

“Os norte-americanos estão a mostrar uma abordagem construtiva e é possível que nos próximos dias sejam concretizados os passos para determinar como pôr um fim digno à guerra”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou este sábado que considera “viável” alcançar “nos próximos dias” um acordo para um “fim digno” da guerra com a Rússia, reforçando a expectativa de avanços diplomáticos significativos. As declarações surgem num momento em que aumentam as negociações entre Kiev, Washington e aliados europeus, no esforço para pôr termo ao conflito iniciado em 2022.

No seu discurso diário ao país, Zelensky sublinhou o papel dos EUA neste processo. “Os norte-americanos estão a mostrar uma abordagem construtiva e é possível que nos próximos dias sejam concretizados os passos para determinar como pôr um fim digno à guerra”, afirmou. O chefe de Estado destacou ainda que a delegação ucraniana já se encontra nos EUA para “continuar o diálogo com base nos pontos de Genebra”.

O líder ucraniano reforçou que “a diplomacia continua ativa (…). A delegação ucraniana tem as diretrizes necessárias e espero que os representantes trabalhem de acordo com as claras prioridades ucranianas”. Estas referências remetem para as negociações de alto nível realizadas na Suíça no fim de semana anterior, que juntaram representantes ucranianos, norte-americanos e europeus.

Segundo avançou a agência France-Presse (AFP), um responsável do Governo norte-americano confirmou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o enviado especial do Presidente Donald Trump, Steve Witkoff, vão reunir-se no domingo, na Florida, com a delegação ucraniana. Também Jared Kushner, genro de Trump, deverá participar no encontro.

Esta ronda negocial decorre após Donald Trump ter apresentado um plano com 28 pontos para terminar a guerra, o qual inclui propostas rejeitadas por Kiev, como a cedência de territórios à Rússia e a neutralidade constitucional da Ucrânia.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que começou com a invasão lançada por Moscovo a 24 de fevereiro de 2022, continua a ser considerada a maior crise de segurança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com profundas repercussões políticas, económicas e humanitárias.