Eleições Montepio: Votação já arrancou

Já é possível votar por correspondência, quem optar pela votação online ou presencial terá de esperar até ao próximo dia 15. Só a corrida à Assembleia de Representantes é que conta com duas listas.

As eleições para a liderança da Associação Mutualista Montepio Geral estão marcadas para 19 de dezembro, mas já é possível votar por correspondência. Os kits de voto já chegaram a casa dos 492 mil associados (só pode votar quem tem mais de 18 anos e com mais de dois anos de vida associativa), ficando assim longe dos mais de 600 mil. Já o voto eletrónico só estará disponível entre os dias 15 a 19 de dezembro. O mesmo acontece a quem optar por votar presencialmente.

Na corrida para a gestão a Mutualista há apenas uma lista candidata, que é liderada pelo atual presidente, Virgílio Lima, mas para a Assembleia de Representantes – uma ‘espécie de Parlamento’ que conta com 30 membros eleitos pelo método de Hondt, onde são debatidos e votados documentos fundamentais da vida da mutualista Montepio – há duas listas: uma de continuidade e outra ligada à oposição.

A lista A propõe como presidente do conselho de administração Virgílio Lima, que já é presidente desde 2019, tendo substituído Tomás Correia. Já os administradores executivos são Idália Serrão, Rui Matos Heitor, Fernando Centeno Amaro (estes três já são atualmente administradores executivos) e Hélio Marques (não faz parte atualmente, devendo substituir João Carvalho das Neves). Os administradores não executivos propostos são José Eduardo Martins e Maria da Conceição Zagalo (atualmente, o administrador não executivo é Alípio Dias). Na Assembleia de Representantes, de 30 membros, o primeiro nome é o padre Vítor Melícias, sendo os nomes seguintes Edmundo Martinho, Ivo Pinho, Ricardo Fernandes e Henrique Monteiro.

Já a lista B aposta em Tiago Mota Saraiva, contando ainda com Francisco Alhandra Duarte, Marta Silva, Ana Silva e Carlos Areal ou Andreia Galvão.

Propostas

A lista liderada por Virgílio Lima diz estar pronta «a responder às necessidades do presente e do futuro, com especial atenção às questões da longevidade e envelhecimento, da saúde e educação, mas também da aquisição ou arrendamento de habitação digna e a custos moderados para associados e famílias».

O atual presidente tem defendido que a situação financeira do grupo melhorou nos últimos anos e espera que o Banco Montepio pague mais dividendos à Mutualista nos próximos anos.

Já a lista B aposta numa estratégia de «recuperar a essência do mutualismo, e pensá-lo para o futuro, atendendo aos problemas do presente, como a crise habitacional, e a partir da energia de quem está disponível para trabalhar em princípios comuns, como o setor cooperativo e da economia social», defendendo a revisão dos critérios remuneratórios e outros privilégios dos membros dos órgãos sociais, nomeadamente as denominadas reformas douradas, «em função dos bons resultados líquidos obtidos e em linha com os benefícios atribuídos aos associados e pensionistas e estrutura remuneratória dos demais trabalhadores do grupo».

Desafios do próximo mandato

Fontes ouvidas pelo Nascer do SOL admitem que o mandato que irá vigorar durante os próximos quatro anos tem pela frente uma série de desafios e nem os resultados alcançados em 2024 dão alguma tranquilidade a uma série de associados. A Mutualista Montepio aumentou os lucros para 210 milhões de euros em 2024, o que representa um crescimento de 87,5% em relação ao ano anterior. É certo que a associação conseguiu manter a tendência que vem desde 2021, altura em que regressou aos resultados positivos, depois dos prejuízos que haviam sido registados nos dois anos anteriores, penalizada pelas contas da instituição bancária.

Uma das dores de cabeça diz respeito à composição do balanço da associação, que conta com 943 milhões de euros em ativos por impostos indeferidos – valor que tem vindo a aumentar desde 2020, altura em que totalizava os 867 milhões de euros. A situação tem vindo a merecer alertas por parte da própria auditora da associação, a PwC, que avisa que o banco pode estar sobreavaliado e, como tal, a Associação Mutualista poderá não recuperar o investimento, uma vez que a sua recuperação deve ser «avaliada em função da obtenção de resultados tributáveis, os quais deverão ser projetados excluindo as componentes tributáveis originadas por diferenças temporárias dedutíveis».

O MGAM fechou o ano de 2024 com 610.181 associados, valor que compara com 604.799 no final de 2023, traduzindo um aumento de 5.382 associados (0,9%), ainda assim bem longe dos 632.931 que existiam em 2015, antes da separação das marcas (banco versus Mutualista). Deste total mais de 75 mil têm mais de 70 anos, quase 10 mil têm mais de 85 anos e mais de 3.300 têm mais de 90 anos. É certo que a grande maioria está centrada nas faixas etárias dos 41/65 anos (283.436) e dos 26/40 anos (107.587). l