Federica Mogherini detida por suspeita de fraude em investigação da Procuradoria Europeia

A antiga alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança (2014-2019) é suspeita de envolvimento em alegadas irregularidades na atribuição de financiamento europeu a um projeto destinado à formação de jovens diplomatas

A ex-vice-presidente da Comissão Europeia e atual reitora da Universidade da Europa, Federica Mogherini, foi detida esta terça-feira na sequência de buscas conduzidas pela Procuradoria Europeia (EPPO), no âmbito de uma investigação por suspeita de fraude ligada a financiamento comunitário.

Mogherini — que lidera a Universidade da Europa desde setembro de 2020 — foi uma das três pessoas detidas durante as operações realizadas na instituição académica em Bruges e também nas instalações do Serviço de Ação Externa da União Europeia (SEAE), em Bruxelas.

A antiga alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança (2014-2019) é suspeita de envolvimento em alegadas irregularidades na atribuição de financiamento europeu a um projeto destinado à formação de jovens diplomatas.

EPPO investiga acesso indevido a informação confidencial

De acordo com a Procuradoria Europeia, “buscas estão a ser realizadas hoje na Universidade da Europa, em Bruges (Bélgica), e no Serviço de Ação Externa da UE em Bruxelas, como parte de uma investigação sobre suspeita de fraude relacionada com o financiamento da UE à instrução de diplomatas juniores”.

Ainda segundo a EPPO, “um dos candidatos terá tido acesso a informação confidencial que o beneficiou, colocando em causa a competição justa do processo”. Entre os detidos encontra-se também o ex-secretário-geral do SEAE, Stefano Sannino.

As buscas abrangeram “vários edifícios” da Universidade da Europa e do Serviço de Ação Externa, além dos domicílios dos suspeitos. Antes das operações, foi solicitado e aprovado o levantamento de imunidades que protegiam alguns dos visados.

Projeto da Academia Diplomática da UE sob suspeita

A investigação centra-se num projeto da Academia Diplomática da União Europeia, criado para formar jovens candidatos à carreira diplomática dos Estados-membros. Os procuradores europeus suspeitam que o processo de seleção pode ter sido viciado através do acesso indevido a documentação classificada, permitindo a um candidato obter vantagem injusta na obtenção de fundos comunitários.

O SEAE é tutelado pela atual alta representante, Kaja Kallas, que não é visada no processo.

Universidade frequentada por figuras de topo da UE

A Universidade da Europa, onde decorreram parte das buscas, é uma das instituições de formação europeia mais prestigiadas, tendo entre os seus antigos alunos o Presidente francês Emmanuel Macron e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

A investigação deverá continuar nos próximos dias, com mais diligências previstas.