A presidente da Comissão Europeia (CE) declarou esta quarta-feira que a União Europeia vive um “dia histórico”, após os Estados-membros e o Parlamento Europeu terem chegado a acordo para eliminar todas as importações de gás russo até 2027. Um passo que Ursula von der Leyen classificou como um “virar da página” na dependência energética do bloco.
“Hoje é realmente um dia histórico para a nossa união. Ontem à noite, chegámos a um acordo provisório sobre a proposta da Comissão de eliminar totalmente os combustíveis fósseis russos”, afirmou a presidente da CE.
A responsável acrescentou que se trata de uma mudança definitiva:
“Estamos a virar essa página e estamos a virá-la para sempre. Este é o início de uma nova era, a era da verdadeira independência energética da Europa em relação à Rússia.”
Como será aplicado o corte ao gás russo
O acordo fechado na terça-feira à noite prevê:
- Proibição das importações de GNL russo no mercado spot a partir de 2026;
- Fim das importações de gás russo por gasoduto a partir de 30 de setembro de 2027;
- Exceções temporárias para Estados-membros com dificuldades em atingir os níveis mínimos de armazenamento.
- Mas todas as importações terminam obrigatoriamente até novembro de 2027.
Von der Leyen destacou a redução drástica da dependência do bloco:
“As importações de gás russo baixaram de 45% no início da guerra para 13%; as importações de carvão baixaram de 51% para zero; e as de petróleo bruto de 26% para 2%”.
Portugal está entre os oito Estados-membros que ainda recebem GNL russo, embora em proporções reduzidas. Em 2024, o país importou 49.141 GWh de gás natural, sendo 96% GNL, dos quais apenas 4,4% de origem russa. A quota russa nas importações portuguesas caiu de 15% em 2021 para 5% em 2024.
Von der Leyen assinalou ainda a queda no financiamento europeu ao Kremlin:
“No início da guerra, pagávamos à Rússia 12 mil milhões de euros por mês por combustíveis fósseis e, agora, reduzimos para 1,5 mil milhões por mês. O nosso objetivo é reduzir esse valor para zero.”
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que esta decisão marca o fim de uma era:
“A Rússia era até agora a principal abastecedora da energia europeia e hoje essa saga chega ao fim.”
Já o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, classificou o momento como “um bom dia para a Europa e para a Ucrânia e um dia muito mau para a Rússia”, assinalando que a UE “corta finalmente a torneira do gás russo”.
Reação de Moscovo: “Europa está a condenar-se a fontes de energia mais caras”
Em Moscovo, a resposta não tardou. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a decisão europeia terá consequências negativas para o próprio bloco.
“A Europa está a condenar-se a fontes de energia mais caras, o que, inevitavelmente, apenas irá acelerar o processo de perda de poder da UE”, declarou, citado pela AFP.