Opiniao

Ténis em cadeira de rodas dá espetáculo no Algarve

Há três anos que a Federação Portuguesa de Ténis, em parceria com a Premier Sports do empresário Pedro Frazão, organiza este torneio da Federação Internacional de Ténis

Portugal organizou na semana passada a fase de qualificação europeia para o Campeonato do Mundo por Equipas de Ténis em Cadeira de Rodas.

Os países europeus que não entraram diretamente na Fase Final do Mundial, que se disputa em maio, em Israel, por os seus jogadores não estarem suficientemente bem classificados no ranking mundial de ténis adaptado, enviaram as suas seleções nacionais a esta qualificação em Vilamoura.

Há três anos que a Federação Portuguesa de Ténis (FPT), em parceria com a Premier Sports do empresário Pedro Frazão, organiza este torneio da Federação Internacional de Ténis (ITF).

O primeiro impacto de qualquer pessoa que se tenha dirigido à academia de ténis e de padel de Vilamoura para ver pela primeira vez ténis adaptado foi sempre o mesmo – o de admiração pelo esforço, pela capacidade de superação que os jogadores demonstram.

São um exemplo. Mas com o passar do tempo, começamos a ser capazes de apreciá-los pelo que realmente são, isto é, atletas de alto rendimento, capazes de produzir um espetáculo desportivo atraente.

Em Vilamoura entrevistei Nico Langmann, o 21.º classificado no ranking mundial, que tinha conquistado na semana anterior o Open de Vilamoura e que ajudou a Áustria a qualificar-se para a Fase Final do Mundial.

O Nico é amigo do vice-campeão de Roland Garros, o seu compatriota Dominic Thiem, que perdeu na final de Paris em 2018 para o eterno Rafa Nadal. «As nossas mães são amigas, nós não conseguimos ver-nos muitas vezes porque ele viaja pelo circuito e eu também, mas tornámo-nos bons amigos», disse-me.

A diferença, como salientou Nico, é que Thiem, de 25 anos, já é milionário, enquanto Langmann, de 22, não consegue «cobrir as despesas com os valores dos prémios monetários, sendo necessário recorrer aos patrocínios».

No entanto, é com orgulho que se proclama «tenista profissional». Tal como qualquer outro, joga no circuito mundial «em busca de prémios e pontos para o ranking», sonha «ganhar torneios do Grand Slam» e, claro, «brilhar nos Jogos Paralímpicos».

Em Vilamoura deparei-me com um fosso entre a qualidade tenística dos profissionais e dos outros – como os internacionais portugueses – que têm as suas profissões e nas horas vagas treinam e competem.

Entretanto, Vasco Costa, presidente da FPT, anunciou que a ITF atribuiu a Portugal a organização da Fase Final do Mundial em 2020.

Estarão cá os melhores do mundo, praticamente só profissionais, e aconselho quem puder a ir em maio de 2020 a Vilamoura e Vale do Lobo para assistir a ténis de elevado nível.