Sociedade

Candidata a bastonária promete dar voz a todos os advogados

"Conheço todas estas realidades, falo a mesma linguagem de todos os advogados, em pé de igualdade, vivenciando as mesmas dificuldades e sei bem qual a realidade que se vive na Ordem dos Advogados"

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A candidata a bastonária Isabel da Silva Mendes comprometeu-se a “dar voz a todos os advogados”, durante a apresentação da sua candidatura, assumindo como suas missões prioritárias “o reforço das competências, adequadas à nova realidade digital e a defesa intransigente de melhores condições de vida para todos os membros da classe”.

Na apresentação da sua candidatura a bastonária da Ordem dos Advogados para o triénio 2020-2022, que serviu igualmente para assinalar o arranque da sua campanha eleitoral, a prolongar-se até ao próximo mês de novembro, Isabel da Silva Mendes afirmou que terá como principais objetivos "a defesa intransigente dos direitos dos advogados e das suas condições de vida, devolver a confiança e valorização do papel dos advogados na sociedade, a sua preparação para as novas formas e matérias de direito que as novas tecnologias e a inteligência artificial irão levantar; a negociação urgente da atualização dos valores tabelados para pagamento de honorários no apoio judiciário e o combate acérrimo à procuradoria ilícita”.

Acerca da razão da sua candidatura, Isabel da Silva Mendes explicou que “nos 93 anos da Ordem dos Advogados, apenas duas mulheres foram eleitas bastonárias, sendo pressuposto desta candidatura o princípio da igualdade”.

“Se enquanto advogada nunca senti qualquer diferença de tratamento nos tribunais ou entre colegas, tal não afasta o meu compromisso para que seja alcançada a verdadeira igualdade profissional, legal e ou social, por isso com tais pressupostos de igualdade, me refiro ao advogado enquanto profissional, masculino ou feminino, em prática individual ou societária”, salientou Isabel da Silva Mendes.

"Conheço todas estas realidades, falo a mesma linguagem de todos os advogados, em pé de igualdade, vivenciando as mesmas dificuldades e sei bem qual a realidade que se vive na Ordem dos Advogados”, reforçou.

“Não me são dadas respostas sobre o que será o meu futuro, mas como sou uma mulher de causas e sou advogada, vou à luta, estou aqui”, acrescentou a candidata, reforçando que “são 30 anos como advogada, 26 em prática individual e os últimos quatro em prática societária. 20 anos na província e os últimos na capital, estou inscrita no apoio judiciário há anos, sou advogada de tribunal, já lecionei em diferentes instituições de ensino e sou membro de júri nas provas de agregação de estagiários há vários anos”, destaca Isabel da Silva Mendes.

“Pôr a Ordem na ordem”

Quanto às principais medidas que preconiza no seu programa de ação, a candidata a bastonária da Ordem dos Advogados, destaca “pôr a Ordem na ordem, aproximando a entidade dos seus membros e dando voz a todos os advogados, independentemente de idade, género ou prática profissional”.

Entre as suas prioridades, estão “a alteração dos Estatutos da Ordem dos Advogados, adequando o documento a temas como a deontologia, publicidade, proteção de privacidade, inteligência artificial ou regulação de plataformas digitais, promover uma gestão equilibrada das contas da Ordem, que não seja focada nos lucros gordos, mas, sim, nas necessidades mais básicas dos advogados”.

A “atualização dos critérios e parâmetros dos honorários, preparar os advogados e adequar à nova realidade digital a regulação das áreas, bem como regular as plataformas digitais”, é também defendida pelos candidatos encabeçados por Isabel da Silva Mendes.

“Criar de uma plataforma – tipo CITIUS – com o intuito de garantir uma gestão mais eficiente das ações disciplinares, que ainda estão assentes em métodos tradicionais que demoram entre oito a dez anos serem concluídos (não esquecendo a questão ambiental associada”, é também defendida pela candidata a bastonária.

Por outro lado, Isabel da Silva Mendes propõe-se “criar uma interface digital de pesquisa que ajude os interessados em toda a Comunidade Europeia a procurarem mais facilmente um advogado em Portugal, à semelhança do que já acontece ao nível da Comissão Europeia, com o intuito de contribuir ativamente para a globalização da advocacia nacional”.

“Promover a reforma da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS) com o propósito de, mantendo o seu equilibro financeiro, contribuir para uma maior coesão intergeracional e corresponder às expectativas de todos os advogados”, é outro dos propósitos da referida causídica.

“Não estou sozinha nesta candidatura, trago comigo a missão de dar voz aos advogados, trazer-lhes esperança, fazê-los acreditar que o ser advogado é ser maior, que a justiça não se cumpre sem a sua intervenção e que o seu valor será dignamente reconhecido”, afirma Isabel da Silva Mendes.