Internacional

Separatistas ucranianos ignoram Putin

Os membros da República Popular de Donetsk, um dos grupos que nos últimos meses invadiu edifícios governamentais no Leste da Ucrânia em resposta ao derrube de um Presidente pró-russo em Kiev, anunciaram hoje que irão manter o referendo à autonomia ou independência da região agendado para domingo, apesar do apelo ao adiamento feito ontem por Vladimir Putin.

Separatistas ucranianos ignoram Putin

“O voto foi 100% contra” a proposta do Kremlin, anunciou o líder do movimento Denis Pushilin. “Agradecemos a sugestão do Presidente Putin mas reflectimos a voz do povo”, justificou o militante pró-russo após reunião num dos edifícios governamentais ocupados na cidade do ex Presidente ucraniano, Viktor Ianukovich. Para Miroslav Rudenko, outro separatista citado na agência russa Interfax, “é difícil falar em baixar as armas e dialogar porque já morreram muitas pessoas”.

A decisão foi repetida pelo grupo separatista de Luhansk, a outra região do leste ucraniano que promete oferecer aos eleitores no próximo domingo a hipótese de defender uma maior autonomia face a Kiev, a criação de um novo Estado independente ou a anexação da região à Rússia.

No Kremlin, um porta-voz de Putin disse que Moscovo “precisa de mais informações” antes de reagir à “nova situação” criada pela decisão dos separatistas. O Presidente russo anunciara ontem o recuo das tropas que havia colocado junto à fronteira ucraniana, apelara ao adiamento do referendo e defendera a realização de presidenciais a 25 de Maio.

Para o Governo interino de Kiev, como para os seus aliados ocidentais, o apelo de Putin prova que “a crise ucraniana é coordenada a partir do Kremlin”, como afirmou o líder do Conselho de Segurança Nacional, Andriy Parubiy. O responsável acusou Moscovo de pedir o adiamento do referendo depois de constatar a impossibilidade organizacional do evento por parte de manifestantes confinados ao interior de dezenas de edifícios governamentais no leste do país.

nuno.e.lima@sol.pt

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