Cultura

O brilho do cinema regressa a Cannes

“Grace de Mónaco”, filme que abre hoje à noite a 67.ª do Festival de Cannes, está envolvo em polémica - com a família real monegasca a distanciar-se da obra por a considerar “fantasiosa” e a disputa acesa entre realizador e produtor norte-americano sobre a montagem final continuar por resolver -, mas será com toda a pompa e circunstância que Nicole Kidman (que faz de Grace Kelly), Olivier Dahan (autor do biopic “La Vie en Rose”) e Tim Roth (que interpreta o príncipe Rainier) atravessarão a passadeira vermelha do Palácio dos Festivais. 

O filme só estreia em Portugal no dia 22 e só vai ser exibido à imprensa nacional na sexta-feira, mas o crítico de cinema Peter Bradshaw, do britânico The Guardian, descreve-o como “catastrófico”, pior do que a longa-metragem sobre Diana, que estreou do ano passado com Naomi Watts no papel de princesa de Gales. 

A decisão de ter “Grace de Mónaco” a abrir o evento não foi consensual, mas a aposta da organização, já de há uns anos para cá, em tornar o festival cada vez mais mainstream justifica a escolha, além de abrir a porta à extensa parada de astros de Hollywood que entre hoje e o dia 25 passará pela Riviera francesa. 

Nesse campo, o momento mais espalhafatoso será, muito provavelmente, a presença, no domingo, de Sylvester Stallone, Harrison Ford e Arnold Schwarzenegger, protagonistas de "Os mercenários 3". Ainda ninguém confirmou, mas comenta-se que os actores chegaram ao festival num tanque de guerra, forrado com imagens gigantes suas no filme. 

A par dos três actores, a chuva de estrelas que passarão por Cannes durante as 12 noites do festival inclui lendas como a italiana Sophia Loren e a francesa Catherine Deneuve, os norte-americanos Tommy Lee Jones, Hillary Swank, Kirsten Stewart e Robert Pattison.

Fait divers à parte, as grandes expectativas a nível artístico concentram-se em   “Welcome to New York”, de Abel Ferrera com Gerard Depardieu a interpretar uma personagem inspirada em Dominique Strauss-Kahn, “Lost River”, a estreia como realizador e argumentista do actor Ryan Gosling, “Maps to the Stars”, de David Cronenberg sobre o culto da celebridade, “Mr. Turner”, de Mike Leigh, “Deux Jour, Une Nuit”, dos irmãos Dardenne, os únicos em competição que já ganharam duas vezes a Palma de Ouro com "Rosetta" (1999) e "A Criança" (2005), e “Adieu au Langage”, do veterano Jean-Luc Godard, de 84 anos, com a promessa da sua presença em Cannes. 

O júri, presidido pela cineasta Jane Campion (Palma de Ouro em Cannes 1993: “O Piano”, ex-aequo com “Adeus Minha Concubina”, de Chen Kaige), é composto por Sofia Coppola, Gael García Bernal, Willem Dafoe, Carole Bouquet, Jia Zhangke, a actriz iraniana Leila Hatami, a actriz sul-coreana Jeon Do-yeon e o realizador dinamarquês Nicolas Winding Refn. 

alexandra.ho@sol.pt