Internacional

Mundial: Favelas fazem negócio

Quando uma noite num hotel do Rio de Janeiro pode custar mais de 360 euros, as favelas surgem com uma alternativa muito mais em conta, com casas inteiras por 24 euros/dia, e ainda com direito a vista privilegiada sobre a cidade. Quanto à segurança, espera-se que tudo corra pelo melhor…


A iniciativa começou com a organização não-governamental Football Beyond Borders que usa o desporto para ultrapassar as desigualdades sociais e o preconceito. Por isso, juntou-se a vários moradores de favelas – de Salvador ao Rio de Janeiro – para melhorarem as suas casas de maneira a oferecerem alternativas viáveis aos fãs do desporto-rei.

Em última instância, pretende-se que o fluxo financeiro que o Mundial move chegue também aos mais necessitados. E já há uma enorme vaga de turistas que reservou os seus alojamentos em favelas como o Vidigal (Rio de Janeiro), Rocinha (Rio de Janeiro), Alto de Ondina (Salvador) ou Vila Santos (Salvador). Entre os países que mais apostaram nestas alternativas contam-se os viajantes da Escócia, França, Alemanha e Estados Unidos da América.

Outra organização que está por trás dos alojamentos nas favelas  é a Favela Experience, que tem quartos para alugar a partir de 74 euros até apartamentos por 150 euros, que podem albergar até seis pessoas. A organização garante que 75% do dinheiro que este negócio traz é devolvido directamente aos proprietários, que assim podem voltar a investir para melhorar as suas moradias. O sucesso foi tanto que quando a companhia lançou a campanha na plataforma Indie GoGo vendeu mais de 100 quartos em apenas 60 dias. O sucesso, aparentemente, vem do facto de esta organização só operar em favelas onde existem Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Finalmente, outra solução para quem não quer perder os jogos na cidade carioca, nem gastar quantias astronómicas em hotéis ou correr riscos a dormir em favelas, é acampar no World Cup Camping, um parque de campismo fora da cidade com preços de 40 euros por noite. No entanto, nenhuma solução é mais barata do que ficar em casa e assistir aos jogos pela televisão.

patricia.cintra@sol.pt