Politica

CGTP acusa Governo de fazer 'jogos de flores'

O secretário-geral da CGTP acusou hoje o Governo de estar a fazer "jogos de flores" para "confundir" a opinião pública sobre a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que considerou ser também uma "chamada de atenção" ao Presidente da República.

Em Guimarães, à margem de um protesto de trabalhadores da Amtrol Alfa, Arménio Carlos avisou que com o "pedido de clarificação" feito ao TC, Pedro Passos Coelho quer "tentar justificar" o aumento de impostos e "eventuais" reduções de salários e vencimentos que "já tem em carteira".

O líder da intersindical defendeu ainda que os cortes nos salários da Função Publica considerados inconstitucionais pelo TC deviam ser repostos desde o início deste ano.

"O Governo tem que cumprir e não andar a fazer jogos de flores para procurar tentar iludir a opinião pública e tentar justificar aquilo que já tem em carteira que é um novo aumento de impostos e, eventualmente, novas reduções de salários e rendimentos de trabalhadores", avisou.

Segundo Arménio Carlos "aquilo que o Governo está a fazer não se justifica", porque o TC "prenunciou-se e cabe ao Governo respeitar o órgão de soberania".

Por isso, disse, "qualquer pedido de clarificação só mostra que o Governo está de ma fé e está a tentar confundir a opinião pública relativamente aquilo que se está a passar".

Para o secretário-geral da CGTP, o executivo liderado por Passos Coelho não foi o único visado pelo "chumbo" do TC a algumas das normas constantes no Orçamento do Estado de 2014.

"Se há alguém que se portou mal foi o Governo. Se há alguém que se portou mal foi o Presidente da República porque sabia perfeitamente que havia um conjunto de medidas que eram inconstitucionais, teve oportunidade de pedir a fiscalização e, numa atitude de cumplicidade com o Governo deixou passar", sublinhou.

Assim, considerou, "esta decisão do TC reflecte uma severa critica ao governo e uma chamada de atenção, ainda mais critica, ao Presidente da República".

Além disso, Arménio Carlos defendeu que a reposição dos salários "devia ser feita desde o início do ano e não só [a partir de] Junho" e lamentou que o TC "não tenha considerado também inconstitucional a questão dos complementos de reforma".

O líder da CGTP sublinhou que "este Governo não tem condições para se manter em funções", porque "já mostrou que não está aqui para resolver problema nenhum, mas sim para gravá-los".

Por isso, apelou à participação nas duas manifestações, dia 14 no Porto e 21 em Lisboa.

"Manifestem-se contra o Governo e exijam a sua demissão. O país tem futuro com outro Governo e outra política", referiu.

Lusa/SOL