Cultura

Se gosta de interiores, vá à CasaPorto. A crise acabou

Até dia 29 de Junho quem estiver no Porto pode voltar a uma edição da CasaPorto, uma iniciativa que começou em 2005 – interrompida depois durante seis anos - e que se destina a mostrar o trabalho de reputados arquitectos e designers de interiores em edifícios de grande prestígio, mas devolutos ou em final de ciclo.


Um Club House imaginário, num palacete no n.º 2653 da Avenida da Boavista, marca o regresso ao Porto da organização de João Silva que, há 12 anos, começou a fazer sazonalmente - primeiro em Lisboa e depois no Porto - esta mostra de casas luxuosas ou palacetes ao público.

Nesta edição de “retoma”, a premiada arquitecta de interiores Nini Andrade Silva decorou o restaurante CasaPalco, a funcionar dentro da casa todos os dias, com reservas para o 925 771 177. Da cave ao 2.º andar, 19 autores interpretaram variados espaços. Os jardins têm igualmente intervenções específicas e um Bar de Vinhos. A entrada é livre e não se destina só a profissionais.

A primeira edição da CasaLisboa foi em 2002, na Quinta das Águias, por trás da Cordoaria Nacional. Em Lisboa, o palacete onde hoje é o Centro Comercial Embaixada, ao Príncipe Real, e o antigo edifício do Expresso, do arquitecto Ventura Terra, na Avenida Duque de Palmela, foram alguns dos espaços abertos aos curiosos. O último, foi o Palácio Conceição Silva, na Avenida da Liberdade, onde durante anos funcionou a Fosforeira Nacional. Depois veio a crise.

Em 2005, a CasaPorto nasceu. “Ao chegarmos ao Porto, na abordagem ao mercado, percebemos que seria na baixa que nos devíamos instalar. A baixa era um buraco gigantesco com as obras do metro. Mas foi uma aposta ganha à partida”, recorda João Silva.

A CasaPorto ocupou a Pensão Monumental, um dos maiores edifícios da Avenida dos Aliados. Em 2006, esteve na Praça D. João I, em simultâneo com a apresentação do condomínio Loop, que seria  o primeiro condomínio da baixa. “Mais de 4.500 pessoas estiveram na inauguração e pela exposição passaram mais de 20 mil pessoas”.

“Em 2007, transformámos um edifício muito mau, que pertencia a um fundo imobiliário, na Rua Sá da Bandeira, e o edifício acabou por se transformar naquilo que é hoje o Hotel Teatro, que é um dos novos hotéis emblemáticos da baixa, desenhado por Nini Andrade Silva”.

Com a crise iniciada em 2009, os projectos CasaPorto e CasaLisboa foram congelados.

A crise definitivamente acabou na arquitectura de interiores

“Seis anos depois estamos de volta porque há um consenso de que na decoração de interiores ao mais alto nível a crise definitivamente acabou”, defende João Silva. “Neste momento todos os ateliês que sobreviveram e se reestruturaram estão no processo inverso de recuperação de colaboradores, de instalações e capacidade de trabalho. Neste momento já não conseguem dar resposta a solicitações do mercado interno e do mercado angolano em particular”.

Além do mercado angolano, João Silva sustenta que o mercado francês tem igualmente estado “em franco crescimento para os profissionais da área portugueses”.

Em Novembro abre a CasaLisboa, no Chiado, retomando os ciclos anuais. O Porto continuará a ter projectos em Junho, agora na zona que está em fase de recuperação da Foz e da Boavista.

telma.miguel@sol.pt