Internacional

Médico britânico defende semana de trabalho de quatro dias

À medida que aumenta o desemprego, aumenta também a carga horária sobre quem está empregado. Esta constatação pode abranger o mundo laboral europeu actual, mas foi feita por John Ashton, líder de um painel de 3300 peritos em saúde pública no Reino Unido. Ashton defende, em declarações ao diário The Guardian, que a semana de trabalho deveria ser reduzida de cinco para quatro dias, a bem da saúde de quem trabalha e como forma mais imediata para combater o desemprego. “Temos uma má distribuição do trabalho. A hora do almoço desapareceu; as pessoas contentam-se com uma sandes à secretária e continuam a trabalhar”.

O problema estende-se às famílias: “Se os dois elementos de um casal estiverem empregados, precisam de trabalhar de tal maneira para que possam passar algum tempo com os filhos. É um pesadelo”, continua o especialista, há pouco reformado de 42 anos de carreira no Sistema Nacional de Saúde britânico. Factores de risco para a saúde, como a hipertensão e a obesidade resultantes do stresse são a preocupação clínica principal de Ashton, que não esquece os problemas de saúde mental que assolam os trabalhadores britânicos, mas também, revelam várias estatísticas, os seus congéneres europeus.

A redução do tempo de trabalho poderia alargar a possibilidade de obter emprego: “Um grande número de pessoas têm horários de loucos e outra quantidade considerável não consegue ter emprego”, conclui o médico, que adianta que o grande desafio da actualidade é o combate à desigualdade. 

ricardo.nabais@sol.pt