Vida

Nuno Peres é o português mais citado

O físico teórico, da Universidade do Minho, tem 13839 citações de artigos científicos em publicações internacionais. Mais do que a quantidade, interessa neste ranking o impacto dessas citações e em que publicações são feitas. A classificação é feita por um organismo específico, o Instituto para a Informação Científica. Embora pareça, a olhos leigos, uma ocupação insólita – contar o número de vezes em que um autor é citado sobre uma ou várias temáticas – é fulcral para a realização de rankings de estabelecimento de ensino superior a nível internacional (e para os consequentes financiamentos).

Do grupo total, que inclui três mil cientistas, destacaram-se ainda os portugueses

Mário Figueiredo, engenheiro da Universidade de Lisboa, com 4622 citações e o biólogo Miguel Araújo, do Conselho Superior de Investigações Científicas (Espanha).

Peres tem desenvolvido trabalho central dedicado ao grafeno, uma forma bidimensional do carbono muito promissora para aplicações na electrónica. A sua obtenção é relativamente fácil, pela esfoliação de grafite, e é mais rápido que o  silício e mais forte que o aço. As inúmeras aplicações futuras passam por áreas diversas da electrónica, das células solares a aplicações biomédicas (retinas artificiais, por exemplo), passando por componentes para computadores.

Peres, que coordena um grupo naquela instituição que ganhou recentemente uma bolsa Graphene Flagship – que integra dezenas de grupos europeus que se dedicam ao estudo deste novo material – é um dos maiores estudiosos do grafeno da actualidade, e colabora com frequência com os físicos russos Andre Geim e Konstantin Novoselov, galardoados com o Nobel da disciplina em 2010. 

ricardo.nabais@sol.pt