Desporto

Maracanã: tira-teimas entre Alemanha e Argentina

Ao fim de 62 jogos, restam Argentina e Alemanha. É uma história que se repete, pela terceira vez, na final de um Mundial. No México-86, Maradona saiu em ombros e no Itália-90 a taça foi parar às mãos de Mathaus e companhia. O tira-teimas joga-se este domingo no Rio de Janeiro, na relva do Maracanã (20h, RTP1 e SportTV1).


Como das outras vezes, um jogador carrega quase sozinho as ambições de um país contra um rival com mentalidade de antes quebrar do que torcer. Lionel Messi faz de Maradona do lado da Argentina, enquanto na equipa alemã Lahm, Hummels, Khedira, Kross, Ozil, Muller e Klose parecem uma versão actualizada da fiabilidade de Brehme, Augenthaler, Kohler, Matthaus, Littbarski, Rudi Voeller e Klinsmann.

O duelo entre argentinos e alemães pelo título mundial, que passa a ser a final mais repetida à frente do Brasil-Itália, acontece pela sétima vez em fases finais. Os sul-americanos só levaram a melhor na final do México, tendo perdido em três ocasiões (1958, 1990 e 2010) e empatado noutras duas (1966 e 2006).

Alemanha favorita

Para a decisão deste ano, a Alemanha parte como clara favorita. Entrou a todo o gás frente a Portugal (4-0) e cumpriu os serviços mínimos com Estados Unidos (1-0), Gana (2-2), Argélia (2-1) e França (1-0), até aparecer ao mais alto nível nas meias-finais, perante o anfitrião Brasil (7-1).

Nunca uma selecção europeia ganhou um Mundial disputado na América do Sul (este é o quinto) e há trabalhos académicos a tentar explicar as razões do fracasso: do clima à falta de apoio dos adeptos, existem várias teorias. Mas se há equipa capaz de as deitar por terra e mostrar que nem tudo se explica no futebol, a Alemanha está na linha da frente para o fazer. E esta geração, suportada por muitos jogadores do Bayern Munique e influenciada pelo estilo de jogo que Pep Guardiola levou para o clube, tem armas que outras não tiveram.

"Europa contra América do Sul. Uma constelação sensacional" – assim descreveu o choque da final Joachim Low, o seleccionador da Alemanha, após a meia-final entre Argentina e Holanda.

Low deixou ainda elogios aos avançados contrários, uma vez que Messi não está tão desacompanhado como esteve Maradona no Mundial de 1986. Com Higuaín e Aguero a seu lado, o esquerdino do Barcelona não é o único capaz de fazer a diferença na albiceleste.

Face à lesão de Di María, e apesar de os médicos estarem a tentar recuperá-lo com recurso a tratamentos à base de células estaminais, é provável que Enzo Pérez se mantenha na equipa. Maradona valorizou o contributo do jogador do Benfica na partida com os holandeses, assim como o de Garay, que trocou os ‘encarnados’ pelos russos do Zenit, e do sportinguista Rojo, dois titulares indiscutíveis.

É uma oportunidade histórica para o país das pampas e o herói do México-86 não o esconde. Para a Argentina, ganhar o Mundial em casa do maior rival seria o cúmulo da felicidade. No Brasil, o efeito seria o inverso: depois da humilhação perante os alemães, só faltava ver os vizinhos do lado levantarem a ‘Copa’ em pleno Maracanã para o pesadelo ganhar contornos ainda mais negros.

rui.antunes@sol.pt