Cultura

As obras-primas sobre rodas da BMW Art Collection

Andy Warhol a rodar a 310 km/h na pista de Le Mans? Parece impossível. Mas aconteceu – ainda que não fosse o pai da pop art quem ia ao volante.


No ano de 1979, Warhol, que na década de 60 tinha dedicado séries de serigrafias a acidentes de automóveis, pintou um BMW M1, um carro desportivo com 470 cavalos. E cumpriu a tarefa a grande velocidade: cobrir a totalidade da carroçaria levou-lhe apenas 28 minutos. "Tentei fazer uma representação vívida da velocidade. Se um carro é mesmo rápido, todos os contornos e cores ficam desfocados", disse a propósito da sua intervenção o artista norte-americano.

Na pista, o seu BMW levava o número 76, em homenagem ao Art Car de Frank Stella, que havia corrido as míticas 24 horas de Le Mans três anos antes.

A ideia de ter carros pintados pelos mais prestigiados artistas contemporâneos teve início numa parceria entre o amante das artes e dos desportos motorizados Hervé Poulain e o director da BMW Motorsport. Em 1975, a marca entregou um carro a Alexander Calder, o criador dos mobiles (esculturas com movimento). Calder, antes da corrida, pediu: "Hervé, ganha… mas conduz com cuidado!". Foi uma aposta ganha: embora não tenha vencido, o carro de Calder tornou-se o favorito da assistência. Em 77, o eleito foi Roy Lichtenstein, célebre pelas suas pinturas que são como ampliações de tiras de banda desenhada.

Até 2010, 17 artistas decoraram diferentes modelos de BMWs desportivos – entre os criadores, encontram-se, além dos já citados, nomes como Robert Rauschenberg, David Hockney e Jeff Koons.

Os 17 projectos, que são em simultâneo pinturas sobre chapa e esculturas em movimento, encontram-se reunidos num livro agora editado pela Hatje Cantz – BMW Art Cars. Tem capa de Jeff Koons e uma caixa de protecção concebida pela Schmid+Widmaier Design.

jose.c.saraiva@sol.pt